Como é Adotar no Brasil? Bruna e João Vitor

Adotar no Brasil é atualmente uma espera relativamente longa, entretanto existem muitas crianças a espera de uma família que possam acolher com amor e carinho e que possam dar um lar e cuidar. Mas como será adotar no Brasil? 80% das crianças disponíveis para adotar no Brasil, são crianças acima de 5 anos de idade e porque isso? O que é preciso para adotar uma criança que não seja um bebê que, aliás, é a preferência da maioria dos casais que estão na fila para adoção. Os requisitos para adotar no Brasil são:

  • Ser maior de 18 anos ( pelo menos 16 anos de diferença entre o pai adotivo e a criança)
  • Petição de adoção na vara da infância (feita por um advogado)
  • Viúvos, solteiros, separados também podem adotar
  • Um curso preparatório e também analítico das condições psicológicas e financeiras da família a adotar que será muito levado em consideração pelo juiz da vara da infância
  • Juiz acolher o pedido de adoção e estar no cadastro nacional de adoção

Após feito o cadastro do casal ou pessoa a adotar no Brasil podem escolher as características físicas de uma criança a ser adotada, porém alguns casos de adoção como o da Bruna e do João Victor são amor a primeira vista. Existe uma forma da adoção ser um pouco mais rápida, normalmente o cadastro nacional de adoção pode ajudar e acelerar o processo. Após o encontro dos pais com a criança, o juiz determina um tempo de adaptação que pode ser até mais de um ano, porém todo o processo será acompanhado por assistentes sociais e psicólogos para que tudo ocorra o melhor possível. Havendo entrosamento, o juiz dará a guarda definitiva ao adotante e esse será considerado filho legitimo.

São Paulo atualmente é o estado com maior numero de crianças a disposição para adotar no Brasil, e crianças entre 0 e 5 anos é o perfil mais procurado para serem adotadas. A adoção é irrevogável e por isso tantos trâmites. Esses garantem que a criança será bem cuidada e amada. Bruna Guidetti se encantou com João Vitor, e em um simples encontro o amor entre mãe e filho nasceu. Acompanhe a entrevista com Bruna mamãe orgulhosa do João Victor.

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Trocando Fraldas: Como foi a decisão de adotar? quem tomou a iniciativa desse gesto tão lindo?

Bruna: Tomamos a decisão juntos, após alguns anos tentando engravidar e não conseguindo. Nos exames em que fizemos constatou que tínhamos poucas chances de engravidar. Quando medico disse isso, choramos. Então, vimos que poderíamos ser pais sim, mais adotando. E saímos em busca de como fazer isso.

Trocando Fraldas: Você procurou uma criança para adotar ou foi a criança que apareceu para adoção ( te escolheu S2)?

Bruna: Meu João caiu dos céus em meus braços. Após 1 semana eu ter entregue os papeis no fórum, ele apareceu, e fomos visita-lo no sitio onde morava. Sem saber o que iríamos fazer lá, ele saiu da porta da casa e correu e pulou em meus braços, nunca senti emoção tão forte, nem quando o meu filho biológico nasceu após alguns anos. Ele era gêmeo, mais infelizmente a irmã morreu no parto, senão adotaríamos os 2.

Trocando Fraldas: O processo foi fácil ou teve que enfrentar dificuldades? Foi um processo demorado? onde teve que ir para conseguir adotar.

Bruna: 1 mês e meio depois ele veio em definitivo, com a guarda provisória. Nesse 1 e meio fizemos adaptações. Pegávamos de sexta a tarde, devolvíamos no domingo. Era difícil devolve-lo. Aquele ser tão indefeso, tão magrinho, tão judiado. Uma criança com 5 anos que nem conhecia chuveiro, shampoo, pão de queijo, iogurte. Quando ele veio em definitivo foi um alivio para todos nós.

Trocando Fraldas: Como foi o inicio da convivência?

Bruna: Foi tranquilo, ele se adaptou muito bem. Matriculamos numa escola melhor, levamos ao médico, fez inúmeros exames. Estava muito magrinho. Pesava 16 kilos com quase 6 anos. Num instante ele cresceu. Quando ele fez 6 anos fizemos uma festa. Ele estava muito feliz. Nem parecia a mesma criança após 5 meses conosco. Montamos um quarto só para ele. Nos primeiros meses eu tinha que dormir com ele, porque ele tinha medo de escuro, acordava aos gritos, ele tinha receio da figura masculina. Num dos desenhos da escola, ele pintou a figura paterna de lápis preto, pintou bem forte. Mais passou tudo isso. Desde essa época ele faz tratamento com psicólogas.

Trocando Fraldas: Ele convive bem com a idéia de ser adotado? sabe desde sempre? como foi contar?adotar 1 (2)

Bruna: Ele não gosta de comentar, não gosta de tocar no assunto. Uma vez numa conversa ele me diz (-mae eu jamais vou abandonar um filho meu!), se ele toca no assunto eu respondo o que ele perguntou, ou comento algo, mais no geral não gosta de contar. Agora que ele tem um amigo da idade dele que também é adotado ele parou de achar que só ele no mundo era adotado, mais mesmo assim fala pouco sobre isso. Ele estava fazendo tratamento com uma psicóloga que insistia em falar da adoção e relembrar o que ele viveu, ele aos prantos me implorou para não leva-lo mais lá. Acabei mudando de profissional, já que isso estava fazendo mal a ele. Hoje vamos numa excelente profissional que não toca no assunto a não ser quando ele comenta algo. Soube respeitar o espaço dele. Mesmo coisa aqui em casa, não comentamos nada e respeitamos a dificuldade dele em contar o passado.

Trocando Fraldas: Como foi a recepção da família e amigos?

Bruna: A recepção da minha família foi ótima, dos amigos também, na família do pai tivemos e temos algumas dificuldades. Mais no geral foi tranquila. Meus pais o amam incondicionalmente.

Trocando Fraldas: Um recado para quem quer adotar

Bruna: Vamos adotar, adotar é um ato de amor ao próximo, é muito fácil dar amor a alguém que geramos, mais é muito nobre amarmos como filho aquele a qual não geramos também. Tenho 2 filhos, um de coração e outro biológico, mais amo os 2 igualmente. Se vocês querem adotar, em especial uma criança maior, faça-o, a maior prova de amor que alguém pode dar a outro.

Trocando Fraldas: Um recado para seu filho

Meu filho João, você amado desejado, idealizado por todos nós. Quero que você cresça em sabedoria, que você seja um homem de fé, de coragem, um bom marido e um bom pai.

Te amamos para todo e sempre! Sua mãe, seu pai, e seu irmão!

Joao Vitor Postigo Guidetti esta com 13 anos

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Foto: Acervo Pessoal