Sempre que se fala em maternidade, a imagem que vem a cabeça da mulher é o barrigão crescendo e logo depois que o bebê nasce a cena clássica da amamentação. Na minha cabeça, eu pensava em amamentar todos meus filhos, sabia que isso era certo! Quem pode prever o futuro?

Já na minha primeira experiência como mamãe, não tive a oportunidade de sentir essa sensação já que a bebê teve problemas e ficou isolada de mim em uma encubadora quando nasceu. O tamanho da minha frustração é inexplicável! Tinha leite, o peito cheio cheio, mas e ai? O certo seria já na maternidade receber a orientação que o leite deveria ser tirado com bombinha, mesmo ela não pegando o peito, mas infelizmente era muito jovem e muito inexperiente também.

No final das contas Joana tomou fórmula porque meu leite que era tão farto logo no nascimento, quando ela foi pra casa, não era mais. Já com Eduardo foi tenso demais! Ele nasceu super bem, mas eu não tinha uma gota de colostro no seio, nada, ZERO!!! Eu sofri horrores na maternidade, não sabia mais o que fazer, as enfermeiras do bloco maternidade me fuzilavam com o olhar pensando que eu me negava a dar o peito pro bebê, mas não, eu colocava no peito e ele sugava, sugava e não saia nada! Triste , frustrada eu já estava, mas passei a ficar apavorada de ver meu filho chorar e não ter leite para oferecer… Foram os piores dias, pois toda vez que vinha uma mamadeira com Nan para alimentar Dudu. Todo mundo me olhava atravessado por ele estar mamando fórmula ao invés de leite materno, mas sinceramente, eu estava destruída por dentro e cansada por fora.

A pressão foi muito grande até que chegou uma enfermeira e por incrível que pareça conseguiu tornar a experiência mais traumatizante, ela simplesmente apertava o meu peito com tanta força, que eu fiquei toda vermelha e comecei a chorar! Ela viu as lágrimas e foi ainda capaz de dizer que eu estava fazendo corpo mole, que era para aguentar firme já que era para o bem do meu filho. Eu me senti a pior das criaturas.

Por fim, ao final da tortura física e psicológica, achava que nada me salvaria, e logo na troca de plantão, chegou uma enfermeira, a chefe delas e veio falar comigo, porque eu estava chorando. Eu expliquei o que estava havendo e ela disse então: Mãezinha, você tem que tomar um medicamento simples, o Plasil, você tem alergia? Eu disse que não e ela então pediu para o médico receitar. Eu tomei e 2 horas depois, senti o colostro escorrer! Nem sei o que eu senti na hora gente, desta vez comecei a chorar mas era de felicidade! Amamentei o Luiz Eduardo por 5 meses, até que por problemas de saúde tive que parar, mas agradeço muito a Deus e aquela enfermeira que soube ter respeito e humanidade em um dos momentos mais difíceis da minha vida!

Benefícios da Amamentação

Sem dúvida alguma o leite materno é o melhor alimento para o bebê até 2 anos de idade. Mas sabe o porquê de o leite materno ser o alimento exclusivo e ideal para os bebês recém-nascidos ate o sexto mês de vida? Vou enumerar alguns dos motivos que o leite materno deve ser o único alimento de um bebê até que possam ser introduzidos alimentos apropriados para a idade:

Imunidade

O leite materno é rico em anticorpos do corpo da mãe. Vacinas que ela tomou quando pequena ou mesmo recentemente, assim como doenças que já foram adquiridas são adquiridos anticorpos. Uma forma de vacinação natural que a mãe passa para seu filho através do leite materno. Essa vacinação natural pode ajudar nos primeiros seis meses de vida do bebê, protege de doenças infecciosas corriqueiras como otite por exemplo.

Diminuição de Risco de Alergias

O leite materno também previne que a criança tenha alergias severas com a proteína do leite de vaca. Crianças que tomam fórmulas podem desenvolver uma alergia do leite animal. Além dessa alergia doenças do aparelho respiratório podem ser evitadas com o uso do aleitamento materno exclusivo por seis meses. Isso se explica pela força que o bebê faz ao sugar o leite materno do seio da mãe. Além de deixar os pulmões livres de doenças como asma e alergias respiratórias, o exercício que o bebê faz ao sugar deixa o seu maxilar e os músculos do rosto mais fortes que ajudaram na mastigação futura do bebê.

Ingestão de Vitaminas

O leite artificial pode trazer para o bebê excessos ou deficiência de certas vitaminas que o leite materno por sua vez tem na medida. Proteínas, potássio, magnésio e sódio podem vir em quantidades muito maiores do que o ideal para organismos tão frágeis como os dos recém-nascidos, ainda mais bebês prematuros ou prematuros extremos como de 26, 27 semanas de gestação. Esses aumentos podem fazer uma sobrecarga no organismo e no aparelho digestório do bebê podendo trazer doenças futuramente.

Combate a Obesidade e Doenças

O leite materno exclusivo até o sexto mês de vida pode proteger aquela criança de ser obesa futuramente. Doenças como hipertensão, diabetes e doenças celíacas podem ser evitadas desde o nascimento, o leite materno ajuda a prevenir que essa criança se torne um adulto obeso ou hipertenso anos mais tarde. Além disso, anemia é uma palavra que não entra no dicionário de um bebê que é amamentado com leite materno exclusivamente. O leite materno tem a dose certa de ferro para o bebê. Até que ele mesmo possa consumir alimentos ricos em ferro para a sua dieta, o leite supre todas as necessidades.

Redução de Cólicas

O bebê pode rejeitar o leite artificial, e as cólicas são uma das formas que o organismo tem para dizer que ainda não está maduro o suficiente, porém o leite artificial pode aumentar e muito esse problema. O leite artificial possui açúcares que podem dificultar a digestão pelos bebês, já que o organismo frágil deles pode processar mais lentamente esses açúcares que fermentam além do suportado pelo intestino e assim se formam os gases. O leite materno tem a enzima certa para digestão dos pequenos. Além disso, o leite materno direto do seio evita que o ar entre no junto com o leite. A pega certa evita e muito o aparecimento de cólica por ar, gases provocados pela entrada de ar que são quase certos na mamadeira.

Contato entre Mãe e Filho

Não existe razão maior para amamentar do que essa, o contato mãe e filho na hora da mamada pode diminuir o índice de depressão pós-parto e irritabilidade por falta do ambiente intra uterino nos bebês. No aconchego do colo da mãe é transmitido tantos sentimentos positivos, tanto amor que amamentar vale a pena só por essa razão. Mamãe de prematuros que não podem ter esse contato direto com seu bebê precisa muito de mães que amamentam seus filhos. Doe seu leite excedente a quem não pode mamar na mamãe diretamente no seio. O leite materno salva vidas, seja uma doadora de vida. A campanha “Doe Frascos de Vida” está ai para ajudar esses prematuros, veja como participar da campanha mesmo se não tem leite materno disponível aqui no LOBALE.

Campanha #euapoioleitematerno de Moises Chencinski

Diga o nome de uma coisa muito preciosa: leite materno! Você sabia que o leite materno é a melhor coisa que se pode ter para crianças menores de 2 anos? Ele é essencial na fase de 0 a 6 meses e é direito de todo bebê receber em livre demanda e exclusivo. Por isso o unir forças para falar mais desse bem tão necessário é fundamental! A SMAM, ou semana mundial do aleitamento materno veio para ajudar a conscientização de mães e cuidadores sobre os benefícios do leite materno. Mas uma semana é pouco para tanta importância!

Por isso, o querido Dr Moises Chencinski tomou a iniciativa inovadora! Que tal falar sobre leite materno por um ano inteiro? A campanha #euapoioleitematerno veio para revolucionar toda e qualquer campanha sobre aleitamento materno. Vamos falar todos os dias da semana sobre o assunto e dar dicas muito importantes sobre essa questão. Em uma conversa com o Dr Moises, ele me deu diversas explicações. Achei muito importante compartilhar aqui com vocês! Ajudem a compartilhar as informações, leite materno é essencial e importante para mãe e filho.

dr moises Chencinski

Dr Moises criador da campanha #euapoioleitematerno

Como surgiu a ideia da campanha #euapoioleitematerno?

Dr Moises: Na Semana Mundial de Aleitamento Materno de 2014, primeira semana de agosto, muito se falou a respeito de ações para aumentar a taxa de aleitamento no Brasil. Aí, eu só ouvia as pessoas falando que deveríamos falar sobre aleitamento materno todos os dias e não só nessa semana, ou só nesse mês. E essa é uma questão que eu já escuto há algum tempo. E muita gente fala realmente sobre aleitamento materno, mas não com a frequência ou a força necessária para mudarmos esse panorama.
Por quê a campanha foi criada? Existe uma forma de contribuir?

Dr Moises: A campanha #euapoioleitematerno foi criada para congregar as pessoas que queiram agir em prol do aleitamento materno. A ideia é sensibilizar, informar, conscientizar, unir esforços e ações para que o aleitamento materno tenha o espaço, o tempo e a possibilidade de ser tão natural quanto deveria. O movimento não é contra nada e nem ninguém. Ele é a favor. A favor das mães e das crianças. A favor da família. A favor dessa geração que a Sociedade Brasileira de Pediatria quer que seja a “geração dos 100 anos”. Mas que seja uma geração saudável, feliz, produtiva e cidadã. Acompanhem as redes sociais e também alguns links que estão todos no rodapé desta matéria.

E ainda há mais por chegar. É só acompanhar. E em breve, a participação de todos será fundamental para conhecer locais amigos do aleitamento. Olha que legal! Divulgar a hashtag (#euapoioleitematerno), incorporar o logo em sites, blogs, informações, enviar vídeos de 15 segundos para serem publicados no Instagram (mostrando o apoio – entrando em contato conosco através desses canais para podermos orientar como fazer), mandando vídeos do tamanho que for para contar e compartilhar suas experiências (positivas ou não), seus problemas para colocarmos no nosso canal no Youtube. Enfim, o apoio às nossas ações e a participação é fundamental.

A quem beneficia essa campanha e como?

Dr Moises: Essa campanha, no final das contas, beneficia todo o Brasil. Beneficia as crianças que crescerão com maior vínculo familiar, mais imunizada, melhor alimentada e mais saudável. Beneficia as mães por uma melhor recuperação pós-parto, uma diminuição comprovada nas taxas de câncer de mama, a possibilidade de uma reinserção no ambiente de trabalho com condições de até retirar seu leite e armazená-lo para trazer para casa para seu bebê tomar quando ela não estiver em casa.

Beneficia, por exemplo, os prematurinhos, para quem o leite materno não é remédio. É vida. Assim, a sensibilização e a conscientização da importância da doação de leite materno ajudarão a fazer, da nossa rede de Banco de Leite Humano no Brasil, que já é exemplo de eficiência e estrutura para o mundo, um padrão também de quantidade de leite (que não supre as necessidades desses prematuros). E, uma vez criada essa cultura, a própria mãe, 15 dias antes de sua volta ao trabalho, seguirá o caminho natural de coletar, armazenar e “doar” o seu leite para seu bebê, completando até o máximo de tempo possível a vantagem do aleitamento para seus filhos.

Quais são os pontos principais para a campanha atingir e como as pessoas podem ajudar para tal?

Dr Moises: A nossa meta ousada começa com a ideia de sensibilizar e conscientizar e informar o país a respeito da importância e da viabilidade do aleitamento materno. A participação de toda a sociedade faz a diferença. É necessária e fundamental a participação e o empenho de todos: as famílias, profissionais de saúde, as escolas, a mídia, as redes sociais, jornalistas, artistas, advogados, professores, os políticos, os esportistas, governos municipais, estaduais e federal, enfim… Sem restrições. Não há quem não possa participar. Pode participar que já amamentou e quem não amamentou, que está ou não amamentando, quem vai ou não amamentar, homens, mulheres, crianças, idosos, sem nenhum preconceito. TODOS são bem vindos.

Qual o objetivo final do movimento #euapoioleitematerno?

Dr Moises: O sonho do movimento é “inundar o país de leite materno”, aumentar as taxas de aleitamento materno exclusivo (hoje de 51 dias para 6 meses), a porcentagem de mães que fazem aleitamento materno exclusivo aos 6 meses (dos 41% atuais para 100%), e a duração do aleitamento materno (atuais 11 meses para2 anos ou mais). E isso é um sonho possível. Não é fácil. Não é rápido. Não é sem muito esforço. Más sem dúvida, é possível e é bom.

Onde posso encontrar maiores informações sobre o leite materno e também mais sobre a campanha?

Dr Moises: Informações sobre aleitamento materno podem ser encontradas nos sites do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Sociedade de Pediatria de São Paulo, da UNICEF. Há muitos profissionais de saúde (médicos – pediatras, obstetras entre outros, enfermeiras, nutricionistas, psicólogos , odontopediatra, entre outros) muito bem informados. Vale a pena procurar por eles. Fica fácil identificar quem são eles. Eles são os profissionais que seguem algumas orientações básicas e que de tudo farão para atingir esses objetivos:

  • Aleitamento materno desde a sala de parto;
  • Aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o 6º mês;
  • Aleitamento materno estendido até 2 anos ou mais.

Esses profissionais estarão ao lado das mães para ajuda-las em qual for a sua decisão. Mas que essa seja uma decisão consciente, após ter sido bem informada e orientada. E isso é possível mesmo com uma legislação que não favorece a mãe (licença-maternidade efetiva de apenas 4 meses – 6 meses só em troca de benefícios fiscais; licença-paternidade vergonhosa de 5 dias; creches nas empresas, locais apropriados para a mãe coletar e armazenar o seu leite para levar para casa para seu filho).

E isso é possível mesmo que tenhamos pessoas na nossa sociedade que se incomodam com uma mãe amamentando seu filho em locais públicos, considerando pornográfico, erótico e sensual, mas acham natural as pessoas seminuas ou até nuas em festividades transmitidas pelas redes de TV no Carnaval, ou nas praias. E isso é possível mesmo que, ainda hoje, o aleitamento materno não seja adequadamente ensinado nas escolas para as crianças, para os jovens e, acreditem, na maioria das vezes nem nos cursos de formação em Medicina e ne na maioria das residências médicas e especialização na área de Pediatria.

Uma consideração final sobre o aleitamento materno.

Dr Moises: O leite materno é o alimento ideal para os bebês. Isso todos já sabem. Será? O que temos observado é que, apesar de ser lógico, culturalmente, em nosso país, essa ainda não é uma noção que a maioria das pessoas tenha. É necessário informar. Sensibilizar. Conscientizar. O leite materno, conhecido como nosso sangue branco, é um alimento vivo, que se modifica e se adapta durante a mamada, e se modifica a cada dia, e em cada fase da vida do bebê, suprindo todas as necessidades nutricionais durante os primeiros 6 meses. O leite materno é o alimento único, exclusivo e necessário até o 6º mês de vida.

O leite materno é o alimento principal entre os 6 meses e um ano de idade e deve ser complementado apenas a partir do 6º mês de vida. Tanto que até um ano de idade a criança é conhecida como lactente. O leite materno é o alimento complementar mais importante da criança após um ano de idade até 2 anos ou mais, dispensando qualquer outra complementação láctea nessa fase da vida da criança. Tudo o que puder ser feito em prol do aleitamento materno estará beneficiando não só seu filho, mas todos os filhos, de todas as mães, de cada canto desse país e fazendo, do Brasil, um país presente com foco em seu futuro.

O aleitamento materno é fundamental, e para quem não teve oportunidade para amamentar, como pode proceder para dar leite materno ao seu bebê?

Dr Moises: No Brasil o aleitamento materno cruzado não é permitido por lei (pelos riscos – como era antes a ama-de-leite). Nos Estados Unidos existe a comercialização de leite materno através da internet, mas que é totalmente irregular e sem controle nenhum. Não se testa contra doenças (Hepatite / HIV), não se controla coleta, armazenamento ou transporte e estudos recentes mostram que grande parte deles tem drogas e leite de vaca em sua composição. Assim, sempre que houver necessidade entre em contato com o pediatra que poderá orientar a melhor forma de tentar, desde uma relactação (técnica através da qual pode ser reiniciado o aleitamento materno) ou até o uso de fórmulas infantis apropriadas para cada criança.

Mídias da Campanha #euapoioleitematerno:

Entrevista com Simone de Carvalho da AMS

Já ouviu falar do AMS? O grupo da Simone de Carvalho, ex-doadora de leite materno e incentivadora ao aleitamento materno fala hoje um pouco mais de como o grupo surgiu e como é ser uma doadora de leite materno mudou a sua vida. Seja você também uma doadora de amor como a Simone e Doe Frascos de Vida!

simone ams

Simone, como você entrou nesse mundo do aleitamento, o que te impulsionou para entrar nesse propósito e como surgiu a AMS?

Simone: Eu fui doadora do Banco de Leite durante seis meses no nascimento do meu caçula e esta experiência mudou completamente a minha visão sobre o trabalho dos bancos que até o momento, era quase nula. Em contato com a coleta semanal do banco através do corpo de bombeiros e da gentil enfermeira que retirava a minha doação e as informações que eu recebia dos resultados da minha doação (realmente salvando a vida de um bebê) decido criar no final de 2009 uma rede de mães potencialmente doadoras em todo Brasil através da rede social do Facebook que atendessem a demanda dos bancos de leite.

Como você se tornou doadora e como é se sentir tão útil nessa fase tão linda da mulher que é a amamentação?

Simone: Devo esta ação ao meu ginecologista, que na época da gestação me entregou um panfleto do banco de leite. Guardei e no pós parto, produzindo muito leite, decido ligar para o bando de leite e fazer o meu cadastro de doadora. Um simples panfleto que fez toda a diferença na vida daqueles bebezinhos internados no ano de 2005.

Quais são os benefícios de se tornar uma doadora de leite materno?

Simone: Toda mãe bem orientada no começo do processo do aleitamento materno, geralmente produz mais leite do que o seu bebê necessita, é importante que este excedente seja retirado das mamas para uma melhor mamada. A doação ajuda a regular o fluxo de leite, proporcionando uma amamentação prazerosa para mãe e bebê. Mas o maior benefício é imensurável: o resultado desta ação tão nobre! Saber que você está contribuindo para salvar um bebê prematuro de alto risco em uma UTI e permitir que os pais realizem o sonho da maternidade e paternidade realmente não tem preço. É um sentimento singular de amor ao próximo que faz muito bem à nossa alma e ao nosso coração.

Quem precisa de leite materno doado e o que trás de bom para quem recebe?

Simone: Bebês prematuros de alto risco que recebem o “líquido de ouro” capaz de colonizar, num primeiro momento todo a sua flora intestinal protegendo-o de bactérias e recebendo a vacina contra doenças mais perfeita de todas. O leite materno nutre este bebezinho em todas as suas necessidades vitais para o seu crescimento e desenvolvimento, garantindo que ele tenha um excelente padrão de saúde.

Como doar o leite materno? Qual o primeiro passo a ser dado para se tornar uma doadora?

Simone: O primeiro passo é ligar para o banco de leite mais próximo da sua casa (o programa LOBALE é uma ferramenta maravilhosa que irá auxiliar e incentivar as mães a se tornarem doadoras). O banco de leite pede apenas os exames pré natais e na primeira visita, a enfermeira leva os frascos de vidro e orienta a mãe respondendo toda as suas dúvidas. Nas doações seguintes, é importante a doação de vidros para armazenamento do leite doado, porque é a grande a demanda e a necessidade também desta doação. Frascos de vidro transportam vida!

Na sua visão, o que falta, qual apoio seria necessário para essa causa ir ainda mais além? Quais os progressos que foram feitos ao longo dos últimos anos sobre aleitamento e doação de leite materno?

Simone: Ainda temos grandes desafios pela frente. A maior ação é que a mãe receba todo o apoio e acolhimento no momento da amamentação. Que ela tenha assegurada o tempo de licença maternidade, que seja incentiva a amamentar exclusivamente o bebê com o seu leite materno e que nos primeiros meses as mães sejam orientadas a doarem assim que estabelecem uma amamentação de sucesso.

A comunidade de AMS disponibiliza quais tipos de informações para o fim amamentação e doação de leite materno? Quem pode entrar na comunidade e como o fazer?

Simone: Como nossa comunidade é virtual, sempre que uma mãe chega até nós com algum problema com a amamentação (fissuras, ingurgitamentos, mastites) sempre orientamos as mães a procurarem os bancos para uma avaliação. O Banco de Leite presta o serviço do orientação e acompanhamento das dificuldades da mãe, por profissionais treinados e capacitados para receber esta mãe. O fato dela ir até o banco é uma grande chance de se tornar uma doadora.

Dicas de sites e grupos úteis indicados pela Simone

  • Nosso grupo de apoio: www.facebook.com/groups/aleitamentomaternosolidario/
  • Nossa página oficial sobre amamentação: www.facebook.com/AMSBrasil
  • Nosso Blog Oficial: comunidadeams.wordpress.com/

Desabafo de Uma Mãe que Não Amamentou

Desde muito pequena, quando brincava de boneca, me recordo de colocar as bonequinhas ao seio para simular a amamentação. Isso porque, sempre ouvia mamãe dizendo que eu tinha sido amamentada até os 2 anos de idade e, que isso, tinha feito toda diferença na minha saúde. Com meus irmãos também não havia sido diferente, ela conseguira amamentar muito bem seus filhos e eu pensava: comigo também será assim! Afinal, filho de peixe, peixinho é certo? Não! O destino conseguiu pregar uma baita surpresa em mim e pior, para meus filhos.

Quando peguei o positivo e vi que realmente a gravidez estava evoluindo bem, alimentei dentro do meu coração a ideia (certeza absoluta) de que iria amamentar aquele serzinho que crescia dentro do meu ventre. Sonhava todos os dias no momento em que poderia pegar meu filho e fazer como ainda pequena, coloca-lo ao seio e finalmente amamentar de verdade! Para mim o leite materno não era apenas a nutrição, o alimento do bebê, era sim, a maior prova de amor que uma mãe pode dar ao seu filho recém nascido. Doar seu tempo, seu corpo além da gravidez, é um momento único apesar de ser bastante exaustivo. A recompensa seria ver meus filhos crescendo através de mim, através de uma ferramenta que eu lhes forneceria também os anticorpos necessários para serem saudáveis.

Quando a Joana nasceu, meu corpo disse que sim, eu poderia amamentar! Logo meus seios encheram de leite. Sentia os seios doloridos, cheios de leite, mas ainda sim não pude amamentar. Joana havia nascido com um serio problema respiratório devido á bolsa rota e teve que ficar dias na UTI e semi UTI sem que nem mesmo pudesse pegá-la no colo, quanto mais amamentar. Neste momento de sofrimento eu, mãe de primeira viagem, jovem, inexperiente, não tive nenhuma instrução do que fazer com o leite. Esse, que estava ali indo literalmente pelo ralo, poderia alimentar minha filha e sabe-se lá quantas crianças mais.

Me recordo de tirar com a bombinha e chorando, desprezar o leite que seria direito da minha recém nascida. Acredito que depois da dor de ver minha filha internada cheia de fios e agulhas, essa foi a minha maior dor. Ter que desprezar o leite materno que tinha à disposição. Quando Joana finalmente veio para meus braços, o leite já não era abundante como antes e, por ter sido alimentada através de mamadeiras, recusou o peito. Essa era a minha primeira experiência como mãe e pode parecer egoísmo, mas me senti profundamente frustrada. Alimentar minha filha através da mamadeira era sem duvida alguma, uma possibilidade que não havia cogitado. Joana mamou leite artificial até os 9 meses, quando por vontade própria, deixou da mamadeira passou a se alimentar apenas com as refeições oferecidas à ela. Talvez se tivesse sido alimentada ao seio ou ao menos da forma correta desde a maternidade, a realidade tivesse sido diferente, quem sabe como eu, até o segundo ano de vida…

Eu era praticamente uma vaca leiteira. Percebi que após o primeiro parto, não tive dificuldades em ter colostro e também o leite propriamente dito. Passei os 9 meses preparando o seio, comprando protetores de seio, sutiãs de amamentação e afins. Mas não contava que a vida havia me preparado novamente uma provação.  Após o parto do Dudu (que foi bem sucedido) finalmente recebi meu filho nos braços. A sensação de que poderia amamentá-lo me fez chorar de emoção. Então esperei pelo colostro, ele sugava esperando engolir alguma coisa mas não havia nada ali! No dia seguinte a mesma coisa, ele sugava bastante mas não descia nada de nada. Me desesperei! Enquanto isso, ele berrava de fome e era emergencialmente alimentado por formulas. Mas espera, esse não era o plano que tinha, não queria ver meu filho dependendo da mamadeira mais uma vez. Apesar de não ser de todo mal, e em alguns casos extremamente necessários, o leite artificial não era o que eu havia planejado desta vez.

Me senti mais uma vez um lixo de mulher. Como assim não tinha leite para amamentar meu filho? O que havia de errado?

Por mais estímulos que houvesse o colostro não dava as caras. O desespero de ver meu filho com fome era algo que me atormentava. Felizmente essa maternidade era uma diferente da primeira, que desta vez, apoiava o aleitamento materno. Algumas enfermeiras vieram apertar meus seios para ajudar e ver se o leite realmente não havia descido ou se era apenas uma frescurinha minha.

Pior do que os apertões sem gentileza alguma no bico dos meus seios, era perceber que realmente não havia nada ali para alimentar meu bebê que berrava ao meu lado.  Finalmente após a troca de plantão, uma chefe da enfermagem veio me ver, e pediu que o ginecologista de plantão me receitasse uma medicação para náuseas. Essa que faria com que o leite descesse enfim. Tomei, desacreditada da veracidade daquela informação, porém tomei. Que mal havia?

2 horas depois, senti alguma coisa escorrer do meu peito. Não acreditava no que meus olhos estavam vendo, era o colostro! Pouco, mas ele estava ali. Não era suficiente para alimentar o guloso do Dudu, mas já me deixou menos preocupada e culpada, era uma luz no final do tunel. Tivemos alta e Dudu conseguiu mamar um pouco, cerca de 2 meses entre leite materno e complementos. Foi entre medicamentos para ajudar o leite a descer que enfim um dia, o leite não veio mais. Por 2 meses tive a alegria de dar meus seios (ainda que não muito) ao meu filho. Não era como sonhava, até os 6 meses exclusivamente, porém com a consciência de que isso não era uma escolha minha. Havia feito de tudo para continuar amamentando, inclusive usar medicação para ajudar a manter a produção de leite.

A terceira gravidez foi diferente, apesar de esperar, desta vez fui pega de surpresa, consegui amamentar minha filha até o 6º mês. Não exclusivamente, mas ainda sim, com muito amor. Não penso que a formula seja ruim, há diversas mulheres que precisam dela. Mas este vínculo mãe\filho na hora do amamentar é um acalento que a mamadeira não proporciona 100%. Apesar de não ser menos mãe por não amamentar, hoje olhando para traz, me sinto realizada porque sei que fiz o que era necessário naquele momento com todas as informações que eu tinha nas mãos. Mas se fosse hoje, não deixaria jamais que minha filha mais velha fosse privada do seu direito de ser amamentada. Por isso, se você tem leite sobrando, seja uma doadora. O leite materno salva vidas!

Foto: Stefan Mamesjo