Bolsa rota 1

Bolsa rota… Esse foi o motivo do nascimento prematuro da Joana, mas você sabe ao certo do que se trata e como identificar? A gente sempre vê em filmes, novelas ou mesmo com uma amiga ou parente próximo, que a bolsa estourou e pronto, se deu início o trabalho de parto. Mas nem sempre é assim tão fácil.

Primeiro vou explicar o que é a bolsa amniótica. Na gravidez, o feto fica envolvido em uma membrana dentro do útero que contém um liquido produzido pelo corpo da mãe. Esse liquido protege o bebê de impactos e possíveis problemas com infecção e é nele que o bebê cresce e se desenvolve com a nutrição da placenta (veja mais aqui). Quando essa membrana se rompe sem que seja por completo, e faz-se assim uma bolsa rota.

A bolsa rota é em muitos casos sorrateira. Ela pode deixar escapar todo o liquido amniótico sem que a mulher perceba que esse é o motivo de tanta umidade vaginal. Muitas vezes, a mamãe de primeira viagem pode se queixar para o obstetra e esse dizer que é normal essa umidade. Porém, é necessário que haja uma atitude por parte do médico. O ideal é que investigue a umidade em caso de ser elevada a ponto de molhar a roupa como era o meu caso. A bolsa rota pode facilitar a penetração de bactérias que são a causa de infecções no feto e consequentemente na mamãe, ou pode ser o contrário. A mamãe que já possui algum tipo de infecção, pode passar isso para o bebê. Não tem jeito, ao mínimo sinal de rompimento da bolsa, por menor  que seja a fissura, o parto tem que acontecer se for indicação médica para o seu caso.

Mas como identificar a bolsa rota?

Quando eu estava com 34 semanas de gestação, comecei a me sentir úmida demais! Comentei com meu obstetra e ele disse que era perfeitamente normal. Apesar dos sintomas, o exame no consultório não mostrou vazamento da bolsa amniótica. Com muita insistência da minha parte, ele acabou pedindo uma ultrassom a qual foi descoberta apenas com 35 semanas que eu estava realmente com liquido diminuído (e muito) e também a presença da bolsa rota. Mas ai já era tarde, não sei como não houve uma consequência muito pior. Por isso é importante ficar alerta aos sinais de bolsa rota e se houver 2 ou mais sintomas é importantíssimo falar com seu obstetra.

  • Umidade em excesso
  • Baixa no liquido amniótico
  • Abaixamento repentino da barriga

A bolsa rota pode ou não ser com presença de trabalho de parto em si e ela deve ser tratada com antibióticos caso o prazo para o parto acontecer seja além de 24 horas. Aliás qualquer caso com bolsa rota ou rompimento total não deve passar de 24 horas para ser tratado a fim de prevenir infecção. O risco de infecção pode ser mais grave em casos de pouco tempo gestacional 24, 25 semanas por exemplo. Embora ela possa acontecer em qualquer época da gravidez, ainda é muito cedo para que o bebê nasça, afinal, são 6 meses ainda de gestação. Nesses casos, o risco do bebê ficar dentro da barriga da mãe por muito mais tempo do que o limite, pode se agravar com as infecções, já que é ainda muito pequeno e frágil

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Bolsa rota também pode acontecer no final da gravidez, mas ai o caso se torna mais simples. A antecipação do parto não é necessariamente um problema como em casos de bebês prematuros. Enfim, umidade demais na calcinha que chega a ultrapassar e molhar muito a calça ou pernas podem ser bolsa rota e deve ser reportada aos seu obstetra sempre! Veja a seguir um parecer do Dr Jaime Filho Ginecologista Obstetra sobre a bolsa rota.

Trocando Fraldas: Dr Jaime, quanto tempo a bolsa pode ficar rota, não digo romper e sair toda a água, mas sim ficar vazando. Mesmo prematuro o parto tem que acontecer com um mínimo de vazamento?

Dr Jaime: Bolsa rota, ou amniorrexe, é o termo que se usa para a ruptura espontânea da bolsa amniótica, que pode acontecer antes ou durante o trabalho de parto. Quando acontece antes do trabalho de parto, chamamos de Amniorrexe Prematura, independente da idade gestacional. O tempo que a bolsa pode ficar rota depende muito do quadro clínico e idade gestacional, já que após 37 semanas a conduta é a realização do parto (indução de trabalho de parto ou cesariana, dependendo do caso).

Entretanto, se a gestação ainda é prematura (menor que 37 semanas), e afastando-se outras complicações, opta-se pela conduta expectante, ou seja, aguardar ao menos a proximidade com 37 semanas. Por exemplo, se a bolsa rompe numa gestação de 32 semanas, e constatando-se que não há infecção materna, sofrimento fetal ou outras alterações, deve-se manter a gestação pelo máximo tempo possível até 36-37 semanas.

Na gestação tempo de bolsa rota possível é variável, e pode ficar até semanas (claro, controlando sinais e sintomas de infecção e de sofrimento fetal) com esse diagnóstico sem problemas o a termo esse tempo também varia, e é muito comum as pacientes chegarem ao pronto-socorro correndo, desesperadas, achando que já está nascendo. Caso ocorra a ruptura da bolsa, a paciente deve procurar o pronto-socorro, porém, sem desespero. Como disse, a bolsa pode permanecer rota por semanas, e assim há tempo suficiente para chegar ao hospital.”

No meu caso a Joana estava quase a termo, mas ainda era um pouco cedo para nascer. Ela nasceu as 36 semanas pensando 2930kg e 45 cm, e teve que ficar internada por 10 dias com problemas de infecção pulmonar devido a bolsa rota não ter sido tratada com antibióticos como deveria acontecer pois eu estava com uma infecção bem alta. Foi um baita susto! Fique de olho.

Veja também: Nascimento da Joana parte 1

Foto: Jeremy Sternberg