Se comer compulsivamente te causa um prazer momentâneo seguido de culpa e se o medo de ganhar peso é o inimigo número 1, estes são os principais indicativos de que você pode estar sofrendo de um transtorno alimentar chamado bulimia.

Transtornos alimentares são um problema real, que pode afetar a todos independente da classe social, mas em especial meninas e mulheres na fase adulta.

O que é Bulimia?

A bulimia ou bulimia nervosa é um transtorno alimentar psicológico e grave que ameaça a vida. Geralmente é caracterizada pela ingestão de uma quantidade anormal de alimentos em um curto período de tempo, seguido por uma tentativa de evitar ganhar peso ao expulsar o que foi consumido.

Os métodos de expulsão incluem vômitos forçados, uso excessivo de laxantes ou diuréticos, períodos extremos ou prolongados de exercício jejum ou dieta extrema.

Muitas vezes, nestes episódios de compulsão interna, uma pessoa que sofre do transtorno da bulimia, experimentará uma perda de controle e se envolverá em esforços frenéticos para desfazer esses sentimentos.

Pessoas com bulimia muitas vezes têm uma imagem corporal irreal. Elas estão obcecadas com seu peso e são intensamente autocríticas. Muitas delas possuem peso normal e até excesso de peso, o que torna a bulimia difícil de perceber e diagnosticar.

Pesquisas indicam que cerca de 1,5% das mulheres e 0,5% dos homens experimentarão bulimia em algum momento da vida. Como mencionado antes, é mais comum em mulheres, especialmente durante a adolescência e nos primeiros anos da idade adulta.

Estima-se que 20% das mulheres que fazem faculdade possuem sintomas de bulimia. Os artistas também correm maior risco de transtornos alimentares, assim como os atletas cujos corpos e pesos são monitorados de perto. Dançarinos, modelos e atores também podem estar em maior risco.

Sintomas da Bulimia

Os sintomas físicos mais comuns de bulimia incluem:

  • Alteração de peso constante
  • Vasos sanguíneos estourados nos olhos
  • Glândulas aumentadas no pescoço e sob a linha da mandíbula
  • Trauma oral, como lacerações no revestimento da boca ou garganta de vômitos repetitivos
  • Dentes manchados (do ácido do estômago)
  • Calos na parte de trás das mãos
  • Inflamação do esôfago
  • Vômito constante
  • Refluxo gástrico crônico
  • Infertilidade

Sinais e sintomas de compulsão alimentar:

  • Desaparecimento de grandes quantidades de alimentos
  • Comer em segredo
  • Falta de controle ao comer
  • Mudança entre os períodos de excesso e jejum
  • Medo intenso de ganhar peso
  • Comentários sobre ser gordo
  • Preocupação com peso e corpo
  • Autoimagem fortemente negativa
  • Uso excessivo de laxantes ou diuréticos
  • Uso de suplementos ou ervas para perda de peso
  • Exercício excessivo
  • Ir ao banheiro imediatamente após as refeições
  • Não participar atividades sociais normais
  • Cheiro de vômito

Caso não tratada, a bulimia pode causar complicações serias ao corpo humano, dentro delas está a falência renal, gengivite, cárie dentária, problemas digestivos ou constipação, desidratação crônica, deficiências nutricionais, anemia e desequilíbrios eletrolíticos, que podem resultar em arritmia cardíaca, parada cardíaca ou, finalmente, morte

As mulheres podem experimentar a ausência de um período menstrual. Além disso, ansiedade, depressão e abuso de drogas ou álcool podem ser comuns em pessoas com bulimia.

Causas da Bulimia

A causa exata da bulimia é atualmente desconhecida; embora se pense que múltiplos fatores contribuem para o desenvolvimento deste transtorno.

Pessoas com condições de saúde mental ou uma visão distorcida da realidade correm maior risco. O mesmo é verdade para pessoas com uma forte necessidade de atender às expectativas e normas sociais.

Aqueles que são altamente influenciados pela mídia também podem estar em risco. Algumas das principais causas da bulimia incluem:

  • Transições estressantes ou mudanças de vida
  • História de abuso ou trauma
  • Imagem corporal negativa
  • Autoestima baixa
  • Profissões ou atividades que se concentram na aparência / desempenho
  • Raiva
  • Depressão
  • Perfeccionismo
  • Impulsividade

Algumas pesquisas dizem que a bulimia é hereditária, ou pode ser causada por uma deficiência de serotonina no cérebro.

Como Diagnosticar a Bulimia?

No diagnóstico para a bulimia é realizada uma variedade de testes. Primeiro, o médico fará um exame físico, também poderá pedir exames de sangue e urina. Uma avaliação psicológica ajudará a determinar o relacionamento que a pessoa possui com os alimentos e com sua imagem corporal.

O médico poderá utilizar critérios para diagnosticar distúrbios mentais. Esses critérios utilizados no diagnóstico da bulimia incluem:

  • Compulsão alimentar
  • Expulsão regular através de vômitos
  • Comportamentos persistentes para expulsão do que foi consumido, como exercícios exagerados, mau uso de laxantes e jejum
  • Alteração da autoestima para peso e forma do corpo

A gravidade da bulimia pode ser determinada com a frequência com que, em média, o paciente exibe comportamentos de compulsão alimentar e expulsão do alimento ingerido.

A bulimia tem uma classificação que vai de leve a extrema:

  • Leve: 1 a 3 episódios por semana
  • Moderado: 4 a 7 episódios por semana
  • Grave: 8 a 13 episódios por semana
  • Extremo: 14 ou mais episódios por semana

Quando um paciente é diagnosticado com bulimia por um longo período, provavelmente ele precisará de testes adicionais. Esses testes podem verificar se há complicações que podem incluir problemas no coração, rins ou outros órgãos.

Tratamento da Bulimia

Como a bulimia não é somente um transtorno alimentar, mas também um transtorno psicológico, o tratamento não se concentra apenas na educação alimentar e nutricional, mas também no tratamento da saúde mental.

Uma vez que a imagem corporal negativa e a baixa autoestima são muitas vezes os fatores subjacentes à raiz da bulimia, é importante que a terapia seja integrada no processo de recuperação. O tratamento para a bulimia geralmente inclui:

  • Descontinuar o ciclo de expulsão compulsiva, a fase inicial de tratamento para bulimia envolve a ruptura deste ciclo prejudicial e a restauração de comportamentos alimentares normais.
  • Educação alimentar e apoio nutricional, o que significa aprender sobre hábitos alimentares saudáveis, formar um plano de refeição nutritiva e possivelmente um programa controlado de perda de peso.
  • Melhorar os pensamentos negativos, fase do tratamento com bulimia onde se concentra em reconhecer e mudar crenças irracionais sobre o peso, a forma do corpo e a dieta.
  • Resolver problemas emocionais, essa fase do tratamento com bulimia se concentra na cura de problemas emocionais que podem ter causado o transtorno alimentar. O tratamento pode abordar as relações interpessoais e pode incluir terapia comportamental cognitiva, a psicoterapia, também chamada terapia de conversa e a terapia familiar.
  • Os antidepressivos e ansiolíticos para tratar a ansiedade e a depressão causada pelo consumo exagerado de alimentos.
  • Tratamento para complicações, que pode incluir hospitalização para casos graves de bulimia

O tratamento bem sucedido geralmente envolve além do antidepressivo e da psicoterapia, também envolve uma abordagem colaborativa entre o médico, profissional de cuidados da saúde mental, familiares e amigos.

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Fotos: Daniela Brown