Antigamente, todas as crianças que nasciam com alguma deficiência ou algum problema de saúde só recebia atendimento após meses ou talvez anos de vida até chegar a um diagnóstico fechado de seu problema. Nos dias de hoje, com a evolução da medicina e sua tecnologia já é possível não só tratar precocemente, mas sim de descobrir antes mesmo do nascimento que algo não esta dentro do esperado. E agora a medicina vai ainda mais longe, com a cirúrgia no bebê dentro do útero ainda.

Através dos exames de ultrassom solicitados no período do pré-natal é possível acompanhar toda a evolução do feto, assim como seu crescimento, formação de órgãos e membros e detalhar as condições de saúde mesmo ainda nas primeiras semanas de gestação.

Já a partir da 12º semana de gravidez é possível constatar através do ultrassom morfológico a existência de alguma anormalidade. O que antes era necessário aguardar o nascimento para tomar algumas medidas, hoje já é possível intervir em algumas alterações e deformidades ainda com o bebê dentro do ventre em pleno desenvolvimento.

Primeira Cirúrgia no Brasil

No dia 01/05/2013, o Brasil vivenciou através das mãos da médica Denise Pedreira no Hospital Samaritano, a primeira cirurgia ainda dentro do útero. O pequeno Joaquim recebeu a correção de sua espinha bífida que foi detectada através do exame de ultrassonografia no pré-natal de sua mãe. Durante o exame foi verificado que era existente uma anomalia na formação dos ossos da coluna vertebral e que não seria fechada até o dia do nascimento, permitindo o contato direto da medula espinhal com o líquido amniótico.

IMPORTANTE: O uso de ácido fólico na gestação é de extrema importância e deve ser iniciado antes mesmo da concepção ou logo após o descobrimento da gravidez. O ácido fólico ajuda a prevenir doenças no tubo neural, evitar má formação e auxilia no desenvolvimento do cérebro do feto.

O contato do líquido com a espinha pode desenvolver transtornos ainda maiores como a hidrocefalia ou afetar completamente os movimentos da coluna que não permitem a criança a andar futuramente. O procedimento realizado com o pequeno Joaquim, ocorreu na 25º semana gestacional e após a conclusão, o acompanhamento foi satisfatório até o dia do seu nascimento. Joaquim nasceu com 7 meses, no dia 15/06/2013 e apresentou melhoras significativas no quadro de hidrocefalia que já era existente.

Mas quando pensamos numa cirúrgia no bebê dentro do útero chega a ser assustador não é mesmo? Nada disso, esse procedimento é cada dia menos invasivo e utiliza de métodos cada vez mais delicados e sem cortes assustadores. E o melhor, permite que os bebês tenham maiores chances de vida e nasçam saudáveis por essa intervenção ainda dentro da barriga da mamãe.

Como É Realizada a Cirurgia no Bebê dentro do Útero?

Existem dois métodos que podem ser utilizados na cirúrgia no bebê ainda dentro do útero. Uma que é o corte no abdômen onde o útero deve ser aberto até chegar ao bebê e os médicos tenham controle e visão total para manusear seus instrumentos minuciosamente. Neste caso os riscos de rompimento uterino são muito grandes. Outro método, que é a opção mais desejada e considerada menos invasiva é a de cirúrgia endoscópica, onde através de pequenos furinhos na barriga da gestante é possível entrar a câmera e os instrumentos cirúrgicos.

Nenhum dos dois métodos é considerado procedimentos simples e rápidos, pois precisam de atenção redobrada por estar com duas vidas em jogo e querendo ou não a gestante também esta passando por uma cirúrgia. Mas graças a essa evolução da medicina é possível salvar cada vez mais vidas e proporcionar uma vida saudável para quem iria estar condenado a anomalias e problemas congênitos por toda a vida.

O aparelho desenvolvimento pelos pesquisadores e especialistas em medicina fetal ganhou o nome de fetoscópio e é tão delicado que chega a medir somente 2 milímetros. Esse micro instrumento garante a entrada no útero sem oferecer riscos de ruptura, como seria no procedimento de corte. A cirúrgia no bebê dentro do útero é indicada para casos como do pequeno Joaquim, que são diagnosticados com espinha bífida ainda na fase de desenvolvimento ou problemas no coração e o funcionamento de suas válvulas.

O mesmo procedimento pode ser utilizado nos casos de síndrome de transfusão feto fetal (no caso de gestação gemelar, um dos gêmeos recebe mais sangue do que o outro). Agora o foco está no desenvolvimento de um novo procedimento, onde será possível tratar bebês com insuficiência cardíaca (coração lento), implantando um marcapasso através do ultrassom, permitindo corrigir o problema de forma minuciosa.

A Cirúrgia Tem Riscos?

Obviamente qualquer procedimento cirúrgico oferece riscos e não é diferente no caso da cirúrgia no bebê dentro do útero. O risco de complicações é evidente principalmente para o bebê, mas as chances de salva-lo e corrigir os problemas encontrados é ainda muito maior.

Graças aos avanços da medicina e do desejo dos especialistas em solucionar os problemas de saúde cada vez mais prematuramente, os bebês ainda no ventre de suas mães agradecem a nova chance!

Veja Também: Ácido Fólico na Gravidez Previne Má Formação

Foto: Skitterphoto