A maioria dos adultos assume que a curiosidade é inata e que é na infância que o desejo de descobrir o mundo é claramente manifestado. No entanto, boa parte dessas pessoas parecem esquecer que eram crianças e se dedicam a desencorajar a criança curiosa, a essência natural de seus filhos ou estudantes.

Mas o que sabemos hoje sobre a CURIOSIDADE? É verdade que na época em que vivemos e, sabendo que dispomos de um conhecimento maior do desenvolvimento do cérebro infantil, quando temos acesso as teorias de base neurológica, que justificam a necessidade de encorajar e manter essa curiosidade a qual estamos falando. É curioso observar como um processo natural relacionado ao ser humano precisa ser defendido pela ciência.

O que é a Curiosidade?

Curiosidade é o interesse que temos em relação ao meio ambiente, a sociedade em que vivemos e todo o mundo a sua volta. O reconhecimento e a aceitação da criança curiosa são uma questão pendente na cultura ocidental, que substituiu a liberdade das crianças por um planejamento e organização extrema da vida delas.

No entanto, o que não podemos restringir ou manter em lugares específicos (porque é universal) é que nascemos com uma curiosidade latente que é capaz de “nos lançar” para explorar com grande avidez o mundo após os 2 anos (idade em que poderia se dar por concluída a formação do vínculo e a identificação com nossos pais que são nossa referência).

É durante a chamada primeira infância (a partir de 8 anos) quando surge esse redemoinho de questões. Questões essas que desarmam pais e professores, e que (apesar de serem cansativas) devem ser cultivadas e cuidadas.

Criança Curiosa é Mais Feliz

A curiosidade está ligada à felicidade individual, mesmo sendo essa qualidade tão repreendida socialmente. A criança curiosa pede e examina tudo em seu caminho e ela faz isso sem restrições, por isso pode confundir-se com indiscrição ou descaramento.

Grávida 4 anos depois do 1°!
"Lutei quase 4 anos para engravidar de novo! Saiba o que mudou a minha história." (Alyne, grávida de 4 meses)
Saiba mais!
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Na verdade, tudo isso tem uma base no cérebro que já foi pesquisado. O cérebro durante esses primeiros anos de vida está muito ocupado gerando novos circuitos e conexões, por isso consome muita energia, mas, ao mesmo tempo, uma intensa atividade justifica a necessidade de descobrir o porquê das coisas e descobrir incessantemente.

A criança curiosa brinca, prova e experimenta, e não se importa se ela viola certas normas sociais ou regras, caso contrário não poderá aprender o que é interessante para ela.

Quando se fala de normas sociais, queremos dizer (por exemplo) no campo doméstico e acadêmico a necessidade de ocupar espaços incomuns para pintar (uma parede), romper simetrias ou chegar a resultados matemáticos sem levar em conta os procedimentos habituais, etc.

É claro que, para alcançar uma convivência harmoniosa em lugares comuns, talvez devamos restringir sua forma de se expressar (por exemplo, fornecendo um quadro negro ou uma folha de papel), mas você nunca deve julgar ou questionar a criança curiosa (suas perguntas) ou sua expressão.

Então entendemos que a criança curiosa tem a curiosidade como um guia interno que (se não foi cortado) mostra o mundo como um lugar emocionante para se explorar.

É muito interessante saber que, se as crianças não são submetidas a regras de comportamento ou de aprendizagem muito rígidas, elas são altamente permeáveis às novidades e mantêm uma flexibilidade mental ao longo de suas vidas, que também as torna mais sociáveis e competentes nas relações interpessoais.

De onde Vem a Curiosidade?

O rápido crescimento do cérebro durante os primeiros anos de vida, justifica um enorme gasto de energia e um alto consumo de glicose, mais do que o cérebro de um adulto desenvolvido.

O cérebro infantil possui mais neurônios que devem ser alimentados. E o que acontece quando cresce? Verifica-se que (perto da adolescência) começa um processo conhecido como poda neuronal que elimina conexões relacionadas a habilidades que não são praticadas, de modo que elas são perdidas por desuso.

Baseando-se nessa ideia, é possível afirmar que a necessidade da criança de tentar muitas atividades de interesse, até (finalmente) ficar com o que mais gosta é a curiosidade.

E a diversidade de interesses que aparece nos primeiros anos de vida, é positiva na medida em que lhes permite revelar qual atividade que realmente satisfaz e para a qual possui habilidades notáveis.

Mas, o interesse da criança curiosa não deve limitar-se apenas aos seus efeitos no campo acadêmico ou de lazer, uma vez que podem ser adquiridas habilidades muito interessantes se essa curiosidade “exploradora” se enveredar por outros caminhos. O contato com a natureza por exemplo, acaba sendo a melhor forma de conhecimento, o qual permite aprender a respeitar o meio ambiente.

Alguns estudiosos afirmam que das 24 forças que os humanos podem possuir, uma é a curiosidade, que finalmente se torna uma maneira de satisfação.

Maiores Curiosidades Infantis

A criança curiosa, pergunta, questiona e têm um universo de criações dentro da cabecinha dela. Essa fase começa por volta dos 5 anos, quando a criança está começando a entender melhor o que está ao seu redor e pode ser ao mesmo tempo, a graça e o pesadelo dos pais.

Uma pesquisa realizada por um site britânico afirma que as mães são as que mais sofrem, pois, as crianças preferem tirar suas dúvidas com elas. Muitas vezes, essas dúvidas chegam a ser engraçadas como por exemplo:

  • De onde vêm os bebês;
  • Porque o órgão sexual dela é diferente do papai ou da mamãe;
  • Porque o céu é azul;
  • Onde termina o céu;
  • Como os peixes respiram embaixo d’agua;
  • Porque existem pessoas malvadas no mundo e muitas outras.

Como Alimentar a Curiosidade Das Crianças

A criança curiosa usa como motor de aprendizado todas as questões que se formulam em sua mente, portanto, alimentar essa curiosidade pode fazê-la entender melhor algumas situações, beneficiando seu senso crítico.

Como o professor pode ajudar a criança curiosa?

A primeira coisa é banir medos e preconceitos, talvez seja preciso fazer um esforço para esquecer o que foi dito em tom negativo sobre a criança curiosa: ela é ousada, inquieta, indiscreta, não presta atenção.

Reverter essas definições e transformá-la em: “ela é espontânea, têm muito interesse, é genuína …”, desta forma, é possível olhá-la com novos olhos e será muito benéfico para todos.

  • Esforce-se para trabalhar a comunicação e criar surpresa.
  • Ouça, esteja interessado em suas perguntas, incentive a criança curiosa a procurar surpresas, deixe-a rir e ser feliz na aula.
  • Compartilhe partes da sua vida com ela.

Além disso, todas as suas aulas não precisam ser rotineiras: um dia pode-se contar uma anedota, no outro, apresenta-lhe um desafio, no terceiro colocar uma música relaxante por 10 minutos e no quarto as levar ao laboratório para realizar uma experiência e melhor se for uma surpresa para elas.

Como os pais podem ajudar a criança curiosa?

Aceite suas perguntas, responda às suas preocupações, não julgue, se adapte aos seus interesses e tente respondê-la.
A criança curiosa não é apenas uma criança muitas vezes taxada como indiscreta, mas uma criança que mantêm algo muito útil para o seu desenvolvimento.

É importante lembrar que os pais têm a responsabilidade de ajuda-la acreditar em um mundo mais aberto aos seus interesses e, portanto, se tornar motores da mudança. A curiosidade não é um mapa, mas uma bússola.

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Fotos: vikvarga