A deficiência visual ou perda da visão é o comprometimento parcial ou total da visão. Várias pessoas desenvolvem algum tipo de problema visual em um determinado momento de suas vidas.

Alguns não conseguem mais ver objetos distantes, outros têm problemas para ler letras pequenas, mas essas condições são facilmente tratadas. A deficiência visual ocorre quando uma ou mais partes do olho ou do cérebro que são necessárias para processar imagens ficam danificadas.

Nestes casos, a visão não pode ser totalmente restaurada com tratamento médico usuais, como óculos, lentes corretivas, ou até mesmo cirurgias.

Causas da Deficiência Visual?

A deficiência visual raramente atinge a visão durante a adolescência. Quando isso acontece, geralmente é devido a danos oculares ou falhas no cérebro que não consegue receber os sinais visuais enviados pelos olhos.

As doenças subjacentes também podem causar deficiência visual. A causa mais comum é a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada com a idade, a formação de catarata e a pressão elevada nos olhos que conduzem ao glaucoma.

Alguns bebês têm cegueira congênita, o que significa que eles possuem a deficiência visual desde o nascimento. A cegueira congênita pode ser causada por uma série de fatores – pode ser herdada, por exemplo, ou causada por uma infecção (como o sarampo) que é transmitida da mãe para o bebê em desenvolvimento durante a gravidez.

As condições que podem causar perda da visão incluem:

Ambliopia

É a visão reduzida em um olho causada pela falta de uso desse olho na primeira infância. Algumas condições fazem com que os olhos de uma criança enviem mensagens diferentes para o cérebro (por exemplo, um olho pode focar melhor do que o outro).

O cérebro pode então desligar ou suprimir imagens do olho mais fraco e a visão desse olho, então, deixa de se desenvolver normalmente. Isso também é conhecido como “olho preguiçoso”.

O estrabismo (olhos desalinhados ou cruzados) é uma causa comum de ambliopia, já que o cérebro começa a ignorar as mensagens enviadas pelo olho desalinhado.

Catarata

É a opacidade parcial ou total do cristalino. O cristalino é uma lente natural do olho localizado atrás da pupila. Ele colabora com a entrada dos raios luminosos para formação da imagem na retina, portanto qualquer alteração na sua constituição afeta a visão nítida.

A catarata impede que a luz passe facilmente através da lente e isso provoca perda de visão. Costuma se formar lentamente e geralmente afetam pessoas em seus anos 60 e 70, mas às vezes os bebês nascem com catarata congênita.

Retinopatia Diabética

Ocorre quando os pequenos vasos sanguíneos na retina são danificados devido a diabetes. As pessoas com retinopatia podem não ter problemas para ver em primeiro lugar. Mas se a condição piorar, eles podem ficar cegos. Os adolescentes que têm diabetes devem ter certeza de fazer exames oculares regulares porque não há sinais de alerta precoce para esta condição.

Glaucoma

É um aumento da pressão dentro do olho. A pressão aumentada prejudica a visão ao danificar o nervo óptico. O glaucoma é visto principalmente em adultos mais velhos, embora os bebês possam nascer com a condição e as crianças e os adolescentes às vezes podem desenvolver também.

Degeneração Macular

É uma deterioração progressiva da mácula, a região mais sensível da retina. A condição leva a perda progressiva da visão central (a capacidade de ver detalhes finos diretamente na frente).

A degeneração macular é muitas vezes relacionada à idade (ocorre em pessoas mais velhas, especialmente com mais de 60 anos), mas às vezes pode ocorrer em pessoas mais jovens.

A exposição excessiva à luz solar e ao tabagismo podem aumentar o risco de degeneração macular relacionada com a idade. Os sintomas podem incluir dificuldade crescente em ler ou assistir televisão, ou visão distorcida em que as linhas retas aparecem onduladas ou os objetos parecem maiores ou menores do que o normal.

Tracoma

Ocorre quando um micro-organismo muito contagioso chamado Chlamydia trachomatis provoca inflamação no olho. Muitas vezes é encontrado em ambientes rurais com ou lugres com acesso limitado a água e saneamento.

Como é Feito o Diagnóstico da Deficiência Visual

A detecção da deficiência visual é feita pelo oftalmologista, que examinará a estrutura dos olhos.

Outros testes simples que podem ser realizados no diagnóstico da deficiência visual incluem:

  • Teste de acuidade visual – Lê – se linhas de letras cujo tamanho vai diminuindo e as quais estão penduradas a uma distância padronizada da pessoa a ser testada.
  • Teste de campo visual – Avalia, com alta precisão, falhas no campo de visão central e periférica do paciente, detectando áreas sem visão que podem ser ocasionadas por diversas patologias.
  • Teste de tonometria – Este teste determina a pressão do fluido dentro do olho para avaliar o glaucoma.

Tratamento

Se o médico determinar que existe uma condição no olho que é susceptível ao desenvolvimento de deficiência visual, alguns tratamentos estão disponíveis. As opções podem incluir óculos, lentes de contato, colírios ou outros medicamentos. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária.

A catarata por exemplo, muitas vezes é tratada com a remoção da lente opaca e sua substituição por uma lente intraocular (feita de plástico artificial que não requer cuidados especiais e assim, restaura a visão).

Outros métodos podem compensar a perda de visão. Os cães-guia podem ajudar as pessoas a chegar de um lugar para outro de forma independente.

Braille permite que pessoas com deficiência visual leiam e escrevam. Equipamentos especiais como computadores, como óculos microscópicos e telescópicos, e software de reconhecimento de voz, facilitam a escola e os trabalhos de casa.

Deficiência Visual na Escola

A deficiência visual interfere no funcionamento de um programa escolar regular ou, para crianças em idade pré-escolar, em tarefas de aprendizagem. A Lei Federal nº 7.853/99 define oficialmente a condição da seguinte forma: “uma deficiência na visão que, mesmo com a correção, afeta negativamente o desempenho educacional da criança.”

Embora as causas variem, existem vários sinais comuns que podem indicar que uma criança tem uma deficiência visual. Esses incluem:

  • Movimentos oculares irregulares (por exemplo, olhos que não se movem juntos ou que parecem desfocados)
  • Hábitos incomuns (como cobrir um olho ou esfregar os olhos frequentemente)
  • Sentar muito perto da televisão ou segurar um livro muito perto do rosto
  • Não copiar as atividades do quadro, ou copiá-las de forma ilegível

Desafios Educacionais

A criança que possui uma deficiência visual tem a seu favor o Decreto 6.571, de 17 de setembro de 2008, que diz que ” o Estado tem o dever de oferecer apoio técnico e financeiro para que o atendimento especializado esteja presente em toda a rede pública de ensino”.

Mas cabem ao gestor da escola e às Secretarias de Educação a administração e o requerimento dos recursos para essa finalidade.”

A inteligência não necessita da visão; portanto, superar os desafios educacionais é vital para permitir que um aluno com deficiência visual alcance seu potencial acadêmico completo. Esses desafios podem implicar:

  • Se locomover com segurança dentro da sala de aula
  • Ler em Braile (a alfabetização em braile das crianças com cegueira total ou graus severos de deficiência visual é simultânea ao processo de alfabetização normal)
  • Utilizar ferramentas educacionais como calculadoras e software de processamento de texto sonoros

Dicas Para as Escolas

A criança que possui uma deficiência visual necessita da inclusão escolar, mas, para que ela tenha êxito, é importante oferecer ambientes adaptados, piso tátil, corredores desobstruídos, sinalização em braile e escadas com contrastes de cor nos degraus.

O entorno da escola também deve ser acessível, com a instalação de sinais sonoros nos semáforos e nas áreas de saída de veículos próximas da escola. São medidas importantes que respeitam a condição do portador de deficiência visual.

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Fotos: visualpun.ch