E qual mamãe que trabalha fora que não gostaria de uma licença maternidade longa e que respeitasse o tempo do seu bebê e até mesmo o seu tempo? Embora os direitos da gestante e mãe estejam um pouco melhor do que era em tempos passados, a separação ainda é muito cedo e dolorosa para a mãe e bebê.

Será que apenas 120 dias de pausa do trabalho são suficientes para um relacionamento tão forte e intenso como o de mãe e bebê? Os direitos da gestante e mãe são a prioridade do projeto Com licença que a Bia Siqueira idealizadora desse mega documentário traduz em relatos reais, a dor da separação pós parto e ao término da licença maternidade e também uma visão dos direitos da gestante que devem ser respeitados pelas empresas.

Atualmente no Brasil a licença maternidade é de 120 dias corridos para empresas privadas e de 180 dias corridos para algumas trabalhadoras concursadas empregadas pelo governo e que contribuem com INSS mensal.

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O valor recebido durante a licença maternidade é um direito da gestante e recém-mãe e equivale há um salário mínimo durante todo o período do afastamento. Porém os direitos da gestante na licença maternidade vai muito além do beneficio recebido, o que mais pesa é a decisão de voltar ao trabalho e também na hora da separação mãe e bebê pós parto e também sobre os direitos da gestante no ambiente de trabalho mesmo antes do bebê nascer.

Os direitos não são apenas para as mães, atualmente os pais tem direito a licença paternidade, porém esse tempo é muito menor do que o tempo da mãe para estar com o bebê, são apenas 5 dias de afastamento do trabalho por direito. Uma lei em tramite prevê 30 dias de licença para o pai, se isso acontecer será realmente muito bom pelo lado afetivo e familiar da questão.

Como as empresas e as leis poderiam ajudar nesse momento de volta ao trabalho? qual a visão que o projeto Com Licença tem em relação a todos esses questionamentos e como ajudar nesse propósito? Conversei com a Bia Siqueira, idealizadora do documentário Com Licença e sobre as questões do direito das gestantes e sobre a licença no Brasil, veja:


Trocando Fraldas: Bia, Como surgiu a idéia de um documentário a respeito de licença maternidade?

Bia: Muito antes da minha primeira filha nascer, talvez meu instinto me fizesse prestar bastante atenção às mulheres que tinham filhos ao meu redor. Via muitas delas se dedicando desenfreadamente ao trabalho, se desdobrando em mil pra atender a todas as demandas: chegar a tempo no trabalho, gerenciar o dia a dia do filho à distância, produzir, levar ao médico, e ainda, ser mulher de vez em quando.

Sempre procurei evitar o julgamento. Eu só olhava e pensava: “algo me parece muito desequilibrado… Quando chegar a minha hora quero ter, pelo menos, opções.” De lá pra cá, fui guinando minha vida profissional pra alguma coisa que pudesse me dar mais flexibilidade. Sei que muitas mulheres não têm essa opção. Natural…

O ser humano se torna muito mais sensível a qualquer assunto depois de o viver na pele. E é justamente a gravidez e o nascimento do filho que faz muitas mulheres repensarem tudo, rever prioridades e visões de mundo.

Decidi transformar aquele meu primeiro sentimento lá de trás, em algo maior, algo que pudesse realmente fazer as pessoas pensarem e refletirem, e com isso fazer dessa uma discussão social em larga escala. Em prol delas, em prol dos filhos, e em prol daquela tal sociedade a que me referi anteriormente: sociedade como quebra-cabeça completo.

É importante ressaltar que o filme não é só sobre licença maternidade, mas como o nome é Com Licença, é natural que as pessoas façam essa associação. Nós vamos abordar 4 temas principais: grávida no ambiente de trabalho, licença maternidade,licença paternidade e a volta ao trabalho. Tudo isso passando claro pela rede de suporte.

Trocando Fraldas: Quais as maiores dificuldades detectadas para uma volta tranquila da mamãe ao trabalho, claro, além do estado emocional e vinculo mãe-bebê através do documentário?

Bia: Pelo que tenho ouvido, realmente o emocional é o mais difícil… Porque é ele que afeta todo o resto. Em termos práticos, a dificuldade começa muitas vezes no medo de perder o emprego depois que acaba o período de estabilidade. Isso acontece muito… nada hoje dá garantias à mulher.(depois do período de estabilidade previsto em lei)

Depois vem a manutenção da amamentação, que é bastante difícil também, por vários motivos que a grande maioria das pessoas não imagina. Em primeiro lugar: a mãe tem que ter muita, muita disposição e vontade! Porque ficar tirando leite pra estocar não é simples. Exige tempo, cuidado, calma e APOIO.

Porque o tempo que você está tirando leite, é o mesmo tempo que você estaria amamentando de fato… Então muitas vezes você está no meio de uma reunião e o seu peito doendo muito porque está cheio de leite. Além disso, você precisa ter onde estocar no trabalho, e muitas empresas não oferecem isso. Então você precisa fazer a sua própria geladeira. Tenho amigas que levavam isopor e tiravam o leite no banheiro, um ambiente nada higiênico.

Direitos da Gestante e Mãe – Conheça o Projeto Com licença da Bia Siqueira 1

Uma mãe consegue no máximo amamentar de manhã antes de sair e à noite quando volta, mas muitas, muitas mesmo nem isso conseguem, porque o tempo que levam pra se deslocarem pro trabalho não permite que elas possam fazer isso.

A outra dificuldade enorme, é a falta de compreensão dos colegas de trabalho. Já ouvi relatos de mulheres que falam para as mães que estão voltando: “por que você não dá logo a mamadeira? Ih menina, já já você cansa e se acostuma com a rotina.” É triste ver que as pessoas não apoiam o vínculo…

Trocando Fraldas: E do lado emocional, superar esse momento é um dos maiores desafios para a mulher, como lidar com esse momento na sua opinião?

Bia: Na minha (humilde) opinião, cada mulher precisa conseguir sentir o que ela quer… E sim, enfrentar o que tiver de enfrentar pra isso, porque muitas vezes o maior inimigo é a sociedade, que cobra que a mulher seja uma fortaleza num momento de tanta fragilidade. Conheço casos que a mulher conversou com o chefe, o chefe do chefe, e conseguiu ter uma flexibilização do horário por exemplo. Mas tudo sempre no boca a boca, na confiança, porque formalmente a lei não permite que isso seja feito. E são raros os casos onde tudo dá certo, porque até mesmo nesses casos, onde um acordo informal é feito, acaba acontecendo um certo constrangimento com a equipe. De novo: as pessoas não estão conscientes desse momento, da importância dele, até mesmo que já tem filho.

Trocando Fraldas: Quais os maiores benefícios da licença maternidade do Brasil em relação aos outros países? Deixa alguma coisa a desejar?

Bia: O Brasil não está mal em termos de tempo/remuneração de licença maternidade, se compararmos a outros países. Estados Unidos e Austrália por exemplo não oferecem licença remunerada, fora outros países que oferecem muito pouco tempo de licença. É preciso ainda rever a questão da estabilidade da mulher, porque muitas vezes o que vemos é a mulher voltando e sendo demitida logo após o período de estabilidade previsto hoje em lei (desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto).

Tão importante quanto a mulher, é o pai, que hoje só tem 5 dias corridos delicença, ou seja, podemos chamar de patética a situação. O pai precisa estar mais tempo em casa, ajudando e dando suporte a essa nova mãe e se adaptando a sua nova vida de pai.

Trocando Fraldas: Na sua opinião as empresas tem entendido melhor a situação maternidade atualmente? Apesar de todos os “benefícios” que surgiram nos últimos tempos o que mais faz falta que ainda não foi implantado?

Bia: De maneira geral, sim. Mas ainda são muito poucas que adotam políticas e ações pro-família. A mudança é lenta, e toda grande mudança exige muito esforço. Na minha opinião, o que mais faz falta na prática é uma licença maior pro pai, e uma diminuição na carga horária da mãe que retorna ao trabalho. Penso que 6 horas diárias por 6 meses já seria um grande avanço aqui.

O mundo ideal é chegarmos em um modelo de licença parental, onde mãe e pai podem escolher quem vai ficar quanto tempo com o filho. Em alguns países onde o modelo é esse, a mulher precisa tirar um mínimo de X dias, obrigatoriamente, e depois ela e o homem decidem. É o mais justo, a meu ver.

Trocando Fraldas: Acho que falta um auxilio para quem trabalha como autônomo, o que poderia ser feito nesse sentido na sua opinião?

Bia: Ainda não cheguei nessa questão mais a fundo… estamos com o foco no vínculo empregatício formal. Mas sabemos que muitas pessoas são autônomas, e acho que quem optou por esse caminho, precisa pesar o ônus e o bônus de tudo. Ao mesmo tempo que o autônomo tem mais controle do seu tempo, ele precisa pensar em momentos de “crise”, como o nascimento de um filho, que vai exigir uma reserva financeira dele, sem dúvida. Nesse caso o planejamento é fundamental.

Trocando Fraldas: Em relação ao pai, o que tem sido feito sobre a licença paternidade? Os 5 dias podem ser estendidos, há alguma lei enquanto ao direito do pai nesse momento tão importante de um casal?

Bia: Hoje há um projeto de lei para estender a licença para 15 dias. Há pouco tempo vimos um escritorio de advocacia que ampliou a licença para 30 dias, e foi super noticiado! Precisamos disso! De mais exemplos. Sei de uma empresa que concede 3 meses aos novos papais, isso é sensacional! Só quem já teve filho sabe da importância da presença do pai nesse momento…

Trocando Fraldas: Os prós e contras da licença maternidade no Brasil segundo o documentário.

Bia: Sem dúvida temos mais prós do que contras, quando falamos delicença maternidade. Já temos um caminho bastante aberto com o programa Empresa Cidadã, que possibilita 6 meses de licença, mas ainda é restrito porque somente empresas no sistema de lucro real podem aderir. E ainda é espontâneo, ou seja, depende da empresa querer. Mas, isso por si só é sim uma vitória! Precisamos lutar para que os 6 meses sejam obrigatórios para TODOS, afinal, a OMS diz para amamentarmos exclusivamente até os 6 meses no mínimo, então como fazer isso?

É importante ressaltar que a questão do filme não é apenas a mãe, nem só a licença maternidade. O cenário envolve mais peças, é uma máquina que pra funcionar, precisa estar com todas as peças bem ajustadas, e começa na gestação. Muitas grávidas sofrem muito no ambiente de trabalho, e NADA é feito sobre isso.

Depois vem a licença paternidade, que é tão importante quanto a licença maternidade a meu ver, pois precisa ainda vencer batalhas grandes. Depois vem a volta ao trabalho, onde a mulher não tem nenhuma garantia de que não perderá seu emprego e ainda precisa voltar sem poder ter um tempo de transição. Temos bastante trabalho a fazer!

Bia Siqueira, 33 anos

Nascida e criada numa família de músicos, se formou e iniciou sua carreira em Arquitetura. Insatisfeita, decidiu investir na sua veia mais comercial e foi para sua segunda graduação: Administracao e Marketing.E após trabalhar em grandes empresas como Coca Cola e Red Bull, descobriu sua vocação e optou pela felicidade, para se dedicar exclusivamente em 2008 ao seu maior projeto: a umpraum. A umpraum nasceu durante a faculdade, quando uma grande amiga ia se casar. Uma empresa que já transformou mais de 50 histórias de vidas em documentários pessoais. “A umpraum é a nossa primeira filha”.

Agora, mãe de Bel e Maria, nasce mais um filho especial: o Com Licença, fruto semeado da própria experiência e troca com tantas mães, que deixou gritante a necessidade de melhorar a relação entre Maternidade e Carreira nos dias de hoje.

Para colaborar com o projeto do documentário Com Licença da Bia Siqueira basta entrar no site Benfeitoria aqui.

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Fotos: Acervo Pessoal