Alessandra, ANunes como é mais conhecida pelas suas seguidoras. Conheço a Alê desde 2008 onde entrei para um fórum sobre mamães, crianças e treinantes. A Alê me ajudou e muito em diversas oportunidades, e hoje acompanho ainda seu blog cheio de fãs e admiradoras assim como eu sou. Vamos conhecer um pouco mais da Blogueira Alessandra Nunes da Fertilidade á Maternidade!  Alê bem vinda!

Vamos lá!

Trocando Fraldas: Conta um pouco de você, com quantos anos casou, quanto tempo tem de casada, com quantos anos sua filha nasceu?

Alessandra: Tenho 38 anos, casada, uma filha linda de 5 anos e um anjinho no céu. Casei aos 28 anos, este anos completamos bodas de estanhos, ou seja, 10 anos de casados. Tive minha filha aos 33 anos.

Trocando Fraldas: Sempre quis ser mãe? Com quantos anos resolveu engravidar?

Alessandra: Sempre quis ser mãe, mas queria estar preparada para ser mãe. Sempre fui muito organizada, sempre planejei tudo, queria primeiro me estabilizar profissionalmente e financeiramente antes de ter um filho, ao contrário, meu marido sempre falou em filhos, desde nossos tempos de namoro e eu adiando, não achava que era o momento. Com 30 anos decidi, finalmente, que estava preparada, que era o momento de ser mãe.

Trocando Fraldas: Quanto tempo demorou pra conseguir engravidar, teve algum problema de fertilidade?

Alessandra: Demorei mais de 2 anos para conseguir engravidar. Não tinha nenhum problema aparente de fertilidade, mas o tempo foi passando, tentava de tudo e nada de engravidar, foi quando minha médica decidiu fazer uma videolaparoscopia investigativa, e aí descobrimos que tinha endometriose. Depois da video, comecei uma nova tentativa com indutor de ovulação, mas mesmo assim não engravidei. Foi quando minha médica acho que era o momento de consultar um especialista e foi o que fizemos, a primeira indicação foi fazer o método de coito programado, com indutor e controle de ovulação com ultrassom, mas tive uma complicação, o indutor gerou um cisto e tive um afinamento grave do endométrio. Então a especialista sugeriu tomar um ciclo anticoncepcional para tratar e no próximo ciclo voltar a fazer o mesmo tratamento. Só que depois de terminar o anticoncepcional decidi dar um tempo, estava esgotada emocionalmente, e foi nesse ciclo que engravidei.

Trocando Fraldas: Qual o maior prazer que você descobriu na maternidade? e a maior lição de todas ao se tornar mãe.

Alessandra: Acho que a melhor coisa que descobri foi o que é amar incondicionalmente, amar uma pessoa mais que você mesma, e um sorriso dessa pessoinha faz você esquecer qualquer problema. A maior lição, foi aprender a não julgar outras mães, sim, pois percebi que cada um tem sua experiência, sua realidade, suas escolhas. E na maternidade não existe regra e nem lei, cada mãe faz o melhor possível por seu filho, mas nem sempre o que é melhor para o meu filho e o melhor para o filho de outra mãe.

Trocando Fraldas: Teve algum problema para trocar as fraldas do bebê ou já dominava a arte? o Marido participava na hora da troca de fraldas?

Alessandra: Não tive dificuldades nas trocas, pois já tinha alguma experiência com meu primos e afilhados, hehe, mas claro sempre dá um friozinho na barriga as 1as trocas, ela tão pequeninha. Acho que a dificuldade maior foi acostumar com as trocas de fraldas noturna. Tenho muita sorte, pois meu marido é técnico em enfermagem e já tinha experiência, ele que me ensinava, dava banho, trocava, só não amamentava mesmo, hehehe.

Trocando Fraldas: Depressão pós parto é um assunto delicado, como foi vivenciar essa fase e o que diria para quem está passando por isso no momento?

Alessandra: A depressão pós-parto é algo que nunca imaginei que aconteceria comigo, afinal desejava tanto ser mãe, planejei tanto. Acho que o mais complicado é admitir que você está doente e lutar contra a culpa que se sente. Eu não rejeitei minha filha, tinha certeza que amava ela demais, mas então porque eu não conseguia me sentir feliz?! Porque é uma doença, mas infelizmente só quem já passou por isso consegue realmente entender o que se sente. Até para meu marido, que é da área de saúde, foi muito complicado, ele não conseguia compreender. Foi uma fase muito difícil, não conseguia me sentir feliz, só sentia tristeza, vontade de chorar, insegurança, medo. De repente, eu que sou uma pessoa super ativa e independente, tinha medo de sair de casa, só sabia chorar e não conseguia sentir prazer em nada, eu sobrevivia, mas não vivia! É algo que não desejo a ninguém.

O conselho que eu dou é não tenha medo de pedir e procurar ajuda, se já se passaram 30 dias do seu parto e a tristeza, falta de ânimo, medo não passaram, é hora de conversar com seu médico, não faça como eu, não fique achando que vc vai conseguir melhorar sozinha, que é normal que vai passar. Quanto antes você procurar ajuda melhor, mais fácil de tratar.

Trocando Fraldas: Se vc está grávida, leia sobre o assunto, saiba identificar os sintomas para, caso seja preciso, espero sinceramente que não, você busque logo ajuda.

Alessandra: Não se sinta culpada, a depressão não é uma escolha sua e é uma doença, você não é menos mãe por isso, você é humana! Aceitar isso, buscar ajuda e tratar é o melhor que você pode fazer pelo seu bebê, por você, pelo seu casamento e pela sua família!

Trocando Fraldas: Como surgiu a ideia do blog da Fertilidade à Maternidade?

Alessandra: O blog foi um dos meus ‘remédios’ para curar a depressão! Quando comecei a ter dificuldades para engravidar, decidi estudar o assunto, entender o que acontecia comigo, entrei em fóruns sobre o assunto e percebi, que escrever e falar com outras mulheres me ajudava a enfrentar as dificuldades, mesmo depois que engravidei, segui participando. Mas foi quando estava no auge da depressão, que tive a vontade de criar o blog, pois ajudar outras mulheres que estavam passando por essas fases que passei e passava me fazia sentir bem, queria dividir o que sabia e, talvez, conseguir evitar que outras mulheres tivessem que passar pelo que já havia passado. Tento dividir minha experiência, explicar o que, muitas vezes, os médicos não explicam, ou não se entende pois é muito técnico, a ideia é ‘traduzir’ para uma linguagem simples, dar um pouco de atenção e apoio nessas fases tão sensíveis que passamos da fertilidade à maternidade :)

Trocando Fraldas: Você pretende ter mais filhos?

Alessandra: Sim, engravidei novamente em 2011, dessa vez foi na 1a tentativa, estávamos muito felizes com o nosso menino que estava chegando, mas infelizmente aos 6 meses de gravidez, no dia das mães de 2012, tive a pior notícia da minha vida, meu bebê estava sem vida. É indescritível o que se sente, depois que achei que já havia passado por todo o tipo de dificuldade em relação a maternidade, passar por isso me fez perceber que não tinha ideia do que era realmente sofrimento. Foi muito difícil superar, achei que não conseguiria, mas descobri uma força que não sabia que tinha. Quando olhei para o rostinho da minha filha, vi que não tinha o direito de desistir, que ela estava ali e precisava de mim. Hoje estou bem, e já decidi que vou tentar de novo, claro que nunca vou esquecer meu menino, é uma dor que nunca cura, acho que só se ameniza, mas me sinto preparada para seguir em frente.

Trocando Fraldas: Qual a visão que você tem de todas as experiências que você passou e o que pode resumir de tudo?

Alessandra: Tudo que passei, principalmente a perda do meu filho, me transformaram em outra pessoa, a Alessandra lá do início dessa história já não existe mais, mas sinto orgulho da Alessandra de hoje. Hoje consigo ver os problemas de outra forma, se tornaram pequenos e simples diante de tudo que já vivi e tenho certeza que precisava passar por tudo que passei. Reaprendi a viver!

Trocando Fraldas: Uma mensagem para quem é tentante assim como você foi e um conselho para quem busca a maternidade.

Alessandra: Sei o quanto é difícil ser tentante, o quanto a gente sofre com cada negativo, mas nunca desista, mesmo que pareça impossível, lute, se informe, corra atrás do seu sonho, pois quando você realizá-lo, vai olhar para trás e ver que tudo que você passou valeu a pena. Acredito muito, que todas as dificuldades que temos que passar é porque precisamos aprender alguma coisa, que futuramente vão nos ajudar a ser mães ainda melhores para nossos filhos. E que a maternidade vem no momento certo, no momento perfeito!

Alê, muito, muito obrigada! Você como sempre uma mulher guerreira e muito generosa, te adimiro muito e desejo que todos os seus desejos e sonhos se tornem reais! Um mega beijo…

Blog da Alê: Da Fertilidade á Maternidade

Veja também: Entrevista Com Bruna Galdeano Vlogueira do Youtube

Foto: Acervo Pessoal