Diversos cuidados precisam ser tomados assim que uma criança nasce. Além dos diversos exames feitos antes do nascimento, como o de tipagem de sangue, que define o fator Rh, por exemplo, o bebê ainda precisa ser examinado e submetido à algumas análises antes de poder ir para a sua casa tranquilamente.

Isso acontece porque a maioria das doenças ou problemas resultantes da gestação ou do próprio parto, são mais facilmente resolvidos nos primeiros momentos de vida de um ser humano.

Tipagem Sanguínea

Um dos exames feitos ainda no pré-natal é o de tipagem sanguínea, onde ele vai descobrir qual é o tipo de sangue do bebê e o fator Rh. O sistema Rh de grupos sanguíneos se classifica entre A, B e O, com fatores Rh positivos e negativos.

  • A (A+, A-, AB+, AB-)
  • B (B+, B-)
  • O (O+, O-)

Doador Universal

Dentro desses grupos, é importante indicar que o sangue tipo O com fator Rh negativo, é o doador universal, ou seja, é um tipo de sangue que pode ser injetado no corpo de qualquer outra pessoa. Por outro lado, o sangue tipo AB com fator Rh negativo é o receptor universal, o que significa que pode receber sangue de qualquer outro tipo sem sofrer consequências.

Uma pessoa com Rh positivo possui em seu corpo uma proteína denominada antígeno D, que se localiza na superfície dos glóbulos vermelhos, já uma pessoa com Rh negativo não possui esse antígeno.

Cerca de 95% da população brasileira possui o fator Rh positivo, o que é algo comum em todo o mundo. Porém, é importante saber que existem as exceções e que existem alguns riscos quando uma mãe possui Rh negativo, mesmo que ele seja prejudicial apenas em alguns casos específicos (quando o bebê possuir o fator Rh positivo).

A mãe precisa estar atenta aos perigos de uma gestação com um fator Rh diferente do bebê, além de saber que certos cuidados devem serem tomados.

Problemas com o Fator Rh Diferente

O grande perigo de uma mãe possuir Rh negativo é quando há chances de o bebê ser Rh positivo, ou seja, não possuir o antígeno D. Isso acontece normalmente por herança genética do pai da criança.

O grande problema é que, como o corpo da mãe não possui essa proteína, seu corpo pode enxergar o bebê como um corpo estranho, se houver algum tipo de contato entre o sangue da mãe e o sangue do bebê. Isso faz com que o organismo entenda que o bebê é alguma espécie de invasor ou parasita e tente agir para eliminá-lo, podendo causar diversos problemas na gravidez.

Porém, esse tipo de problema não costuma aparecer na primeira gravidez, sendo o risco maior a partir da segunda, onde o sistema imunológico da mãe corre mais riscos de atravessar a placenta e atacar as células sanguíneas do feto.

Isso acontece porque, no primeiro parto, o sangue da mãe acaba entrando em contato com o do bebê e, dessa forma, o corpo da mulher aprende que o antígeno D existe e que é uma possível ameaça ao corpo e, dessa forma, produz anticorpos contra esse antígeno. Esse fenômeno é conhecido como eritroblastose fetal, ou doença de Rhesus.

ATENÇÃO: É importante lembrar que nem sempre a eritroblastose fetal acontece, mesmo quando a mulher está grávida pela segunda ou terceira vez, mesmo que os riscos sejam maiores.

Como o Sangue do Bebê Entra em Contato Com o da Mãe?

Existem alguns casos onde o sangue do bebê pode entrar em contato com o da mãe, causando a eritroblastose fetal mesmo na primeira gestação da mulher. São esses casos:

  • Quando há sangramento vaginal durante a gravidez, causado ou não por algum tipo de pancada e especialmente após as 12 semanas de gestação
  • Quando há uma gravidez fora do útero (tubária ou ectópica)
  • Quando exames que coletam células fetais são realizados
  • Durante o parto

Quando há o contato do sangue da mãe com o sangue do bebê, é importante saber quais são as consequências desse tipo de problema.

Consequências da Eritroblastose Fetal

Existem algumas perigos e problemas que podem aparecer se o corpo de uma mãe reconhecer o seu filho como um corpo estranho por conta do fator Rh. Os principais são:

  • Insuficiência Cardíaca
  • Anemia
  • Icterícia
  • Insuficiência Hepática
  • Aborto, em casos mais graves

Os problemas podem se apresentar mais ou menos graves, dependendo da reação do corpo da mãe e de como a eritroblastose fetal foi prevenida. Em muitos casos, o bebê pode até não apresentar nenhum desses sintomas e ter uma vida normal.

Prevenção da Eritroblastose Fetal

É importante saber que, uma vez que os anticorpos contra o antígeno D são produzidos no corpo da mulher, eles não podem mais ser removidos. Por outro lado, é possível impedir que eles sejam produzidos. A prevenção é feita com antissoros anti-Rh com gamaglobulina, injetado logo após o nascimento do primeiro bebê que possuir Rh positivo.

Existem exames intrauterinos para saber se o bebê possui o fator Rh positivo, diferente do da mãe. Porém, eles não são recomendados pelos médicos, porque há risco de contato do sangue da mãe com o sangue do bebê, o que pode causar problemas, caso os fatores Rh dos dois sejam conflitantes

ATENÇÃO: É sempre importante saber o fator Rh do pai, pois isso pode determinar se há ou não riscos desse tipo na gravidez.

Tratamento da Eritroblastose Fetal

O tratamento desse tipo de doença pode variar de acordo com a gravidade do problema. Os exames para determinar o quão forte a eritroblastose fetal está, são feitos através do líquido amniótico.

Dependendo da gravidade, pode ser feita até mesma a transfusão total do sangue do bebê, de modo que ele receba sangue Rh negativo, cujas células não são destruídas pelos anticorpos produzidos pelo sangue da mãe. Com o passar do tempo, é natural que as células voltem a ter o fator Rh positivo, já livre dos problemas.

Ter um bebê não é uma tarefa fácil e possui diversos pontos onde precisamos prestar atenção e tomar cuidado. Mas o fato é que todos esses cuidados tomados ao longo desses 9 meses de gestação valem a pena quando você percebe que o seu bebê está saudável e livre de qualquer risco à saúde.

É claro que os cuidados com ele estão apenas começando, pois há uma vida inteira para ser formada ali, mas o prazer de ser mãe e de ter alguém gerado por você compensa qualquer dor de cabeça que possa aparecer no meio do caminho.

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Foto: Canon EOS 6D