Quem já não ouviu dizer que a mulher que acabou de ganhar nenê não estará fértil por um longo período se tiver amamentando principalmente? Pois é, cientificamente falando e na prática, não é bem assim.

Muitas mulheres ficam grávidas algumas semanas após o parto ou até mesmo no resguardo, por isso conhecemos famílias com filhos que possuem quase a mesma idade. Portanto, é possível ter uma gravidez após parto, mesmo que o ciclo menstrual ainda não tenha retornado.

Risco da Gravidez Após Parto

O nascimento de uma criança impacta muito no corpo, especialmente durante o período de gravidez. A maioria dos profissionais da saúde recomendam não engravidar imediatamente após ter dado à luz, uma vez que a saúde da mulher ainda não se recuperou da fase gestacional anterior.

Aleitamento Materno e Fertilidade

Há muitos fatores que entram em jogo quando falamos de gravidez após parto. O fator mais importante é se a mulher está amamentando o recém-nascido. Embora seja possível engravidar durante a amamentação, ela em si é cerca de 98% efetiva como forma de controle de natalidade. Mas, é importante lembrar que sua eficácia só ocorre se:

  • O bebê tiver menos de seis meses;
  • O período menstrual ainda não retornou;
  • O aleitamento materno é exclusivo;
  • A amamentação é em livre demanda;
  • A amamentação total dura em média 60 minutos diários.

A amamentação altera a forma como o hormônio luteinizante é secretado, e ajuda a prevenir a ocorrência de ovulação e para engravidar é preciso ovular. O tempo que leva para que a fertilidade retorne, pode variar entre as mulheres, dependerá do padrão de amamentação do bebê e como o corpo reage aos hormônios da lactação também.

Quais São as Chances de uma Gravidez Após Parto?

Embora os profissionais da saúde recomendem não fazer sexo antes de terminar o período de resguardo, isso pode acontecer às vezes, e se a mulher não usa nenhuma forma de contracepção, uma gravidez após parto pode ocorrer.

Além disso, quando as mulheres amamentam, atrasa o início da ovulação, mas apenas em alguns casos, portanto, a amamentação não é um método 100 % efetivo de controle de natalidade.

A grande maioria das mães experimentam um sangramento prolongado após o parto, que dura em média de 3 a 8 semanas, e o sangue geralmente é vermelho brilhante.

No entanto, o sangramento torna-se mais claro com o tempo, indicando que o útero está completamente curado. As possibilidades de ovulação durante as primeiras 6 semanas depois do parto geralmente são muito baixas, mas não são impossíveis.

Pouco depois da hemorragia pós-parto cessar e se a mãe não está amamentando exclusivamente, ela pode retomar a ovulação por volta das 10 semanas após a parto.

Cerca de 80% das mulheres que não amamentam têm seus ciclos normalizados nesse tempo, embora para a maioria das mulheres pode demorar alguns meses para que seus corpos e hormônios voltem ao normal.

Em média, leva cerca de 14 meses para o período menstrual retornar, porém, para algumas mulheres isso ocorre logo no primeiro mês, mas é provável que ela não esteja realmente ovulando.

Riscos de uma Gravidez Após Parto

Engravidar logo depois de ter um bebê pode causar problemas tanto para a mãe quanto para o bebê. Houve uma pesquisa muito limitada em relação a esse assunto, no entanto, engravidar entre os 12 meses após o parto podem aumentar o risco de:

  • Descolamento de placenta
  • Aumento do risco de autismo em bebês concebido após um parto;
  • A placenta pode ser anexada à parte inferior da parede uterina, o que pode cobrir total ou parcialmente o colo do útero, causando placenta prévia. Especialmente em mulheres que tiveram um primeiro parto cesáreo.

De acordo com estudos realizados para riscos associados à gravidez após parto, a incidência de ruptura uterina em mulheres que tentaram parto vaginal após cesárea em menos de dezoito meses depois do primeiro parto, aumentou significativamente.

Existem alguns riscos que estão associados a uma gravidez antes ou dentro de dezoito meses após o parto, e incluem:

  • Nascimento prematuro
  • Baixo peso ao nascer
  • Tamanho pequeno para idade gestacional

Além disso, alguns especialistas acreditam claramente que as gestações em um curto intervalo de tempo, geralmente afetam negativamente a mãe, uma vez que elas não dão a mulher chance de relaxar, além de aliviar o estresse físico da gravidez anterior antes de entrar em outra.

Por exemplo, a amamentação bem como a gravidez, esgota todas as reservas de nutrientes essenciais, tais como ácido fólico e ferro no corpo, para atender a mãe e o bebê.

Recuperação do Corpo

O trato genital também pode sofrer inflamação durante a gravidez após parto. É preciso dar tempo ao corpo e a esses órgãos, para que possam se reestabelecer antes de outra gestação.

Claro, muitas mulheres tiveram gestações bem-sucedidas depois de uma gravidez após parto. É importante pesar os prós e os contras, por isso, sugerese que um método contraceptivo seja utilizado logo após o nascimento do bebê.

Método Contraceptivo Para Prevenir Gravidez Após Parto

No caso de planejar ter outra criança no próximo ano ou perto disso, pode-se considerar usar um contraceptivo de ação curta, que inclui:

Métodos a curto prazo

  • Pílula contraceptiva oral combinada – esta pílula contém progesterona e estrogênio e age principalmente parando ou prevenindo a ovulação. É seguro, com efeitos colaterais raros, cessa a dor, bem como fluxos pesados. No entanto, existem algumas desvantagens com este método,algumas mulheres podem desenvolver coágulos sanguíneos significativos. Para as mães que amamentam, é importante conversar com o médico para ver qual o tipo ideal de pílula que pode ser usada no período de amamentação.
  • Métodos de barreira – São eles, preservativos masculinos e femininos, diafragma e espermicidas. Impedem a entrada do esperma no útero, são seguros e não possuem efeitos colaterais. Eles também não afetam a fertilidade, no entanto, o único problema com esses métodos é que eles não são tão confiáveis em comparação aos outros.
  • Método natural (Tabelinha e Billings) – onde se determina os ciclos através de gráficos e observação dos sinais do corpo (muco, etc.) respectivamente, e só mantem relações sexuais fora do período fértil. A condição primordial para o uso deste método é a regularidade dos ciclos menstruais.

Métodos a longo prazo

  • Contraceptivo Injetável – hormônio que é liberado a uma taxa muito baixa no corpo. É um método eficaz que funciona inibindo a ovulação, funciona da mesma forma que a pílula, e deve ser injetado a cada 8 a 12 semanas. Embora seja muito eficiente, às vezes pode causar períodos irregulares e alguns efeitos colaterais.
  • Implante Contraceptivo – é um pequeno dispositivo que é colocado na pele. Ele libera hormônio lentamente no corpo. Funciona do mesmo modo que o método anterior e é muito eficaz.
  • DIU – Uma opção muito confiável para evitar gravidez. Normalmente, uma a cada 100 pessoas ficará grávida utilizando esse método. É possível engravidar logo após a retirada do dispositivo.

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Fotos: Santiago Fernandez