A pele é o maior órgão do corpo humano e também um dos mais sensíveis, isso significa que ela está sujeita à contração de diversos tipos de doenças que podem variar desde casos simples e resolvidos em apenas um dia, como a acne, até enormes problemas, como o câncer de pele ou a hanseníase, por exemplo.

Uma das doenças que pode ser considerada um problema grave de pele é a hanseníase, causada por uma bactéria e que deixa a pessoa afetada com sintomas muito específicos. Apesar de não oferecer nenhum enorme risco à vida especificamente, ela pode ter algumas consequências que atrapalham a vida de quem a possui e, por isso, um tratamento adequado é exigido.

Preconceito

Além de todos os riscos que essa doença pode trazer para a saúde de uma pessoa, também existe o preconceito por parte de quem não entende muito bem sobre o assunto. Esse tipo de comportamento é histórico, já que as pessoas que possuíam hanseníase em tempos passados eram muitas vezes vistas como doentes incuráveis e que iriam espalhar a sua doença para outras pessoas, o que as isolava e fazia com que esse preconceito aumentasse.

Ainda hoje, depois de muitos anos e o avanço de diversos estudos, muitas pessoas ainda evitam estar perto de infectados pela hanseníase, muito mais por falta de conhecimento do que por qualquer outra coisa, mas ainda assim podemos dizer que esse é um mal que a doença ainda carrega consigo.

Mas para entendermos com clareza todos os aspectos da hanseníase, é necessário falar sobre o que ela é, o que ela causa e quais são os tratamentos feitos para essa doença.

O que é Hanseníase?

A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença de pele causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também chamada de bacilo de Hansen, nome dado ao pesquisador que a identificou, Armauer Hansen.

Ela causa manchas esbranquiçadas na pele, mas também afeta os nervos periféricos, fazendo com que a pessoa possa ter deformidades ou até mesmo incapacidades físicas. É importante citar que a hanseníase é uma doença contagiosa e transmitida pelo ar ou pela saliva, porém, essa transmissão só ocorre quando um paciente ainda não está em tratamento, ou seja, após o início dele, não há riscos de se pegar a doença.

Essa é uma das doenças mais antigas da humanidade, existindo relatos dela na China há mais de 4 mil anos atrás. Até um passado recente, as políticas de saúde pública determinavam que a melhor forma de se combater a doença é isolando as pessoas infectadas das outras, o que acaba aumentando ainda mais o preconceito que já existia.

Foi só há pouco mais de 30 anos que as formas de tratamento da doença começaram a mudar radicalmente, assim como as campanhas para que as pessoas entendessem melhor sobre a hanseníase e o preconceito diminuísse. Hoje em dia, os casos da doença realmente vêm diminuindo, assim como a falta de informação de muitas pessoas.

Causas da Hanseníase

Como já dissemos anteriormente, a hanseníase é causada por uma bactéria que penetra no organismo e se instala na pele e nos nervos periféricos. Existem basicamente duas formas de se contrair essa bactéria; a primeira é a exposição a ambientes com condições higiênicas inadequadas, o que faz com que o crescimento dela seja propício.

A segunda, é o próprio contato com a bactéria através de outra pessoa que a possua, já que a contaminação pode ser feita através do ar ou da saliva, por isso o cuidado no contágio é fundamental.

Como é Feito o Diagnóstico da Hanseníase?

O diagnóstico da hanseníase precisa ser feito por um médico dermatologista que pode identificar através da análise das manchas e também dos sintomas. Através dessas análises, mais alguns exames são feitos para se ter certeza de que o paciente realmente está infectado.

Os principais exames feitos são os de sensibilidade, que medirão coisas como a dor, a exposição da pele à luz e o tato, e os laboratoriais, que podem até mesmo requisitar uma pequena raspagem de uma ferida para uma análise clínica mais profunda.

Tratamento do Hanseníase

Apesar de ser uma doença que traz diversos malefícios, a hanseníase tem cura. Porém, é necessário saber que o tratamento para a doença não é rápido e exige muita persistência por parte do paciente, que pode acabar achando que não está tendo resultados por não ter resultados rápidos.

A poliquimioterapia é talvez a principal forma de tratamento da doença, com medicamentos tomados via oral. Os antibióticos usados pela poliquimioterapia fazem com que a bactéria saia do corpo da pessoa infectada aos poucos e previne as deformidades que a hanseníase pode causar na pele.

Tratamento Gratuito pelo SUS

É também por causa desse tipo de tratamento que a doença deixa de ser transmissível, cerca de 4 dias depois do início do uso dos antibióticos. Outra informação importante é que, no Brasil, o tratamento é oferecido de forma totalmente gratuita pelo sistema único de saúde (SUS).

Hanseníase e Gravidez

Além disso, há também certos medicamentos usados no tratamento da hanseníase que são contraindicados para mulheres grávidas, por isso é sempre importante prestar atenção no que está ingerindo na hora de realizar esse tipo de tratamento.

A hanseníase é com certeza uma doença que traz diversos questionamentos e gera diversos tipos de dúvidas em muitas pessoas. Mas é importante sabermos que, mesmo que com um tratamento longo e árduo, a doença tem cura.

Também existem as formas de evitar a hanseníase, principalmente evitando o contato com pessoas infectadas que ainda não estão realizando o tratamento, mas é sempre importante não deixarmos o velho preconceito que sempre acompanhou a doença tomar conta.

Após o início do tratamento, a hanseníase não é mais transmissível e a pessoa infectada pode ter contato com todas as outras sem nenhum problema.

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Foto: DIMAGE Z2