A infertilidade é uma condição que afeta homens e mulheres em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, um em cada quatro casais que residem em países em desenvolvimento são afetados pela infertilidade. Entretanto, é difícil definir números exatos de qual a prevalência de infertilidade pelo mundo devido à falta de ferramentas em comum para realizar e reportar o diagnóstico de indivíduos e casais.

Ao longo dos anos, a procura pelo tratamento de infertilidade tem crescido devido ao surgimento de técnicas mais modernas e de uma maior facilidade de acesso a tais tecnologias. Junto a isso, houve o crescimento da preocupação com os aspectos emocionais e psicológicos que envolvem esta condição, sendo estas variáveis consideradas necessárias para um tratamento da infertilidade mais completo e eficiente.

saúde mental

Muitos pesquisadores têm se debruçado em estudar os impactos da infertilidade na saúde mental, bem como o impacto da exposição prolongada a todos os tratamentos que muitos casais têm de passar quando desejam superar essa situação.

Para se ter ideia dos impactos da infertilidade, um estudo realizado com mulheres americanas, por exemplo, nos mostra que mulheres que sofrem de infertilidade se sentem tão ansiosas ou depressivas quanto mulheres que são diagnosticadas com câncer ou que tem problemas cardíacos.

É por isso que temos que redobrar a atenção quanto a esta condição que pode provocar tanto sofrimento psicológico. Ao longo desse artigo, vamos falar um pouquinho sobre como a infertilidade pode provocar impactos na saúde mental e como podemos lidar com toda essa situação de uma maneira mais saudável!

Estresse psicológico, ansiedade e tristeza

São muitos os sentimentos que surgem em casais que estão enfrentando a infertilidade. Os que são frequentemente relatados são estresse, ansiedade e tristeza. Todos esses sentimentos, quando não exagerados e frequentes, são normais e, até mesmo saudáveis, pois são respostas naturais do nosso corpo frente às situações que ocorrem em nossa vida. Entretanto, devemos ficar atentos quando tais sentimentos se tornam uma constante e começam a afetar diversas áreas da vida.

É possível que algumas mulheres que passam pela infertilidade tenham os seguintes pensamentos:

  • “Eu só me sentirei completa quando for mãe”.
  • “Estou sozinha e ninguém me entende”.
  • “Nada na minha vida fará sentido até eu conseguir um filho”.
  • “O meu parceiro vai me deixar se eu não conseguir engravidar”.

Estes são pensamentos comuns, mas é necessário dizer que a infertilidade é um percurso que não precisa ser trilhado sozinho e, por isso, prestar atenção nos nossos sentimentos e pensamentos é uma boa dica para verificar quando é hora de se estar em alerta e procurar ajuda.

Muitos estudos, por exemplo, têm relatado a incidência de depressão em casais inférteis que passam por tratamento. É notável que, quanto mais tempo de tratamento, mais frequentes são as chances de aparecerem sintomas de depressão e, também, ansiedade. Um estudo demonstrou que pacientes que já tentaram e falharam no tratamento uma vez tinham níveis altos de ansiedade, e pacientes que já tinham experienciado duas tentativas falhas, apresentavam um nível alto de depressão quando comparados com outros pacientes sem um histórico de tratamento.

Nas mulheres, a depressão é associada com a regulação anormal do hormônio LH, o hormônio responsável pela ovulação. Por isso, é muito importante se ter um estado mental saudável para que as chances de concepção sejam maximizadas. O nosso corpo é interconectado e, por isso, é importante procurar meios de manter a saúde mental mais equilibrada possível.

Algumas dicas para cuidar da sua saúde mental

  • Procurar atividades de lazer – Muitas mulheres que enfrentam a infertilidade pensam nisso o tempo inteiro, e isso faz com elas deixem de aproveitar momentos e atividades
    que, antes, eram prazerosas. Planejar momentos só para você, como fazer exercícios, ler um livro, pintar, escrever, dentre outros; ou também, sair com amigos ou com seu parceiro são possibilidades que podem funcionar como uma válvula de escape de tais pensamentos.
  • Evitar chás de bebê e aniversários infantis – Se esses eventos são situações que te afetam e de deixam mais triste, por que não evitar? Aliás, esse é um comportamento totalmente compreensível para mulheres que estão enfrentando a infertilidade. Apenas se deve ter o cuidado para que isso não se torne uma atitude que caminhe para o isolamento. Eleger outros eventos, por exemplo, é uma possibilidade que pode ser o suficiente para que você ainda mantenha o contato com os seus amigos.
  • Proporcionar mais tempo para o seu relacionamento com o parceiro – Diante do sonho de se ter um positivo, as relações sexuais passam a ser planejadas no intuito de aproveitar o período fértil o máximo possível. Isso pode afetar o relacionamento, já que as relações sexuais são pensadas apenas para fins de concepção, e não como um momento íntimo e de prazer para o casal. Assim, proporcionar mais tempo para o relacionamento íntimo do casal também faz parte da promoção de uma saúde mental saudável.
  • Encontrar grupos de apoio – Os grupos de apoio servem como uma forma de mostrar que não estamos sozinhos. Pertencer a um grupo e poder compartilhar experiências é algo que pode aliviar o sentimento de se estar sozinho ou de que ninguém pode entender sua dor. Vale a pena participar!
  • Procurar um psicólogo – Essa dica aqui é essencial! Procurar ajuda e suporte para auxiliar durante os desafios da infertilidade é uma decisão importantíssima para quem quer ter um espaço para falar de seus anseios, angústias e pensamentos sem ser julgado. Um bom psicólogo vai oferecer suporte e apoio durante essa situação, proporcionando autoconhecimento para lidar com os seus sentimentos.

Investir em sua saúde mental vale muito a pena, pois o nosso corpo funciona como uma orquestra. Assim, se uma parte não vai bem, todo o resto desanda. Por isso, procure um profissional no qual você confie para que esse trajeto não seja tão doloroso e solitário.