A comunicação é algo inerente ao seu humano e desde que nos tornamos uma sociedade, há muitos e muitos anos, é uma das coisas que nos diferencia do resto da natureza. É claro que evoluímos muito a partir disso e hoje é possível se comunicar com todas as partes do mundo utilizando diversas formas de linguagem.

Uma delas, em especial, é a linguagem de sinais, usada por pessoas com deficiência auditiva que não são capazes de compreender sons e, consequentemente, de reproduzi-los. Existem diversas linguagem de sinais hoje em dia no mundo, mas a usada no Brasil se chama libras.

Como a Linguagem de Sinais Surgiu?

Libras é uma abreviação de Língua Brasileira de Sinais, que é usada pela grande maioria dos deficientes auditivos do Brasil e que é reconhecida pela lei como a língua oficial de sinais do país.

Apesar de só ter sido reconhecida dessa forma em 2002, com grandes movimentos para que isso acontecesse desde os anos 90, a libras existem desde o século XIX e nasceu a partir da criação do Instituto dos Surdos-Mudos, fundado em 1857, que é conhecido hoje em dia como Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

A libras surgiu a partir da necessidade de ter um modo de se comunicar com as pessoas que possuíam deficiência auditiva, assim como também ser um modo de fazer com que eles se comunicassem com as outras pessoas.

Antes disso, não existia nenhum padrão para quem possuía esse tipo de deficiência e por isso, existiam muitas dificuldades de convivência, mesmo com a pessoa se adaptando aos gestos mais comuns usados pelas pessoas.

Importância da Linguagem de Sinais

A criação da linguagem de sinais também foi importante no sentido de unir os deficientes auditivos de alguma forma, proporcionando que eles possam falar por si e que possam expressar suas vontades, além de também exigir seus direitos e mostrar o que ainda pode melhorar para que a comunicação deles com o resto do mundo possa ser mais eficiente.

Apesar de ter levado muito tempo para que a linguagem de sinais fosse oficializada, muitos surdos já dominavam a libras antes disso, além de também já terem uma comunidade formada.

Existem diversos dicionários de libras nos dias de hoje que contam com mais de três mil tipos de sinais, que são usados em todas as regiões do país. É importante dizer que o século XXI trouxe avanços significativos para a comunidade e a cultura surda.

Já que o avanço da tecnologia proporcionou que muitas pessoas pudessem se comunicar de outras formas, além de aproximar pessoas com deficiência auditiva que vivem situações que se identificam.

O que Fazer Quando o Meu Bebê Nasce Surdo?

A incapacidade de ouvir sons é algo que atinge cerca de 5% da população brasileira, o que significa uma boa quantidade de indivíduos. A surdez se caracteriza por um problema em qualquer uma das três partes do ouvido (externa, média e interna), que pode ser causado por alguma lesão durante a vida ou também pode ser um problema de nascimento.

A surdez em um bebê normalmente é percebida através dos primeiros exames feitos ainda na maternidade, mas é necessário estar sempre atento aos sinais de que a criança não está ouvindo direito para ter certeza se algum problema não foi desenvolvido após a realização desses exames. Sabendo disso, a primeira coisa a se fazer é saber como identificar a surdez em um bebê.

É importante saber que um bebê surdo pode se desenvolver normalmente como qualquer outro, desde que tenha a atenção e acompanhamento devido dos pais.

Quando o Bebê Pode Começar a Aprender a Linguagem de Sinais

Essa é uma dúvida recorrente e muitos acreditam que a criança aprende a linguagem de sinais apenas quando está mais velha, mas a verdade é que os pais podem e devem começar a adaptar a criança o mais cedo possível para que ela possa ter um bom desenvolvimento da sua comunicação.

Por isso, a comunicação por sinais precisa ser exercitada a partir do momento em que os pais percebem que o bebê possui deficiência auditiva. Um bebê recém-nascido recebe diversos tipos de estímulo e o seu contato com o mundo exterior muitas vezes depende dos sons que ele ouve, como a percepção da voz da mãe, por exemplo.

No caso dos bebês que possuem deficiência auditiva, esse tipo de relação precisa se dar com os gestos que os pais fazem para ele e no contato visual, para que esse tipo de linguagem de sinais seja algo natural para a criança.

Aprendizado da Família

É importante lembrar que a introdução à linguagem de sinais brasileira precisa ser dada primeiramente à família, para que eles se acostumem e que possam fazer com que o bebê não se confunda.

Apesar de parecer difícil no início, é algo que todos os pais conseguem assimilar com facilidade a linguagem de sinais, até mesmo porque boa parte do aprendizado da criança vai depender do domínio que os pais possuem desse tipo de linguagem.

Para isso, a família precisa ser orientada por profissionais que ajudem a comunicação da família como um todo. A criança deve ser encaminhada para uma fonoaudióloga especializada em surdez, enquanto os pais devem se focar em aprender a linguagem de sinais, como já citado anteriormente. É possível que a criança tenha algum avanço com a oralidade, no entanto, não se deve esperar que ela possa se comunicar perfeitamente falando.

Ter um filho com deficiência auditiva pode ser um grande desafio, mas nada que impeça que a criança tenha uma vida saudável, normal e principalmente, feliz. É claro que é tarefa dos pais fazer com que a criança seja estimulada da maneira correta para que o desenvolvimento da criança não fique prejudicado de alguma forma, mas com tudo feito de maneira correta, é certo de que a criança poderá levar uma vida agradável mesmo possuindo uma deficiência.

Os dias de hoje proporcionam uma melhor interação das pessoas surdas com o mundo e entre elas também, graças também à linguagem de sinais. Pensando dessa forma, todos os avanços sociológicos e tecnológicos tendem a ajudar ainda mais quem possui deficiência, tanto auditiva quanto outros tipos, para que tenhamos uma sociedade com mais igualdade.

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Foto: David Fulmer