Basta dar uma folheada em revistas de celebridades para ver o uso constante do termo “maternidade independente”. Mas, o que realmente significa? Quais os desafios? Por que muitas mulheres estão optando por gerarem seus filhos sem o auxílio de uma figura masculina?

Não é de hoje que as mulheres vêm ganhando mais espaço na sociedade. Seja no campo profissional ou intelectual, elas estão focadas em seu próprio crescimento. Com isso, muitas delas colocam relacionamentos ou a própria maternidade em segundo plano.

Porque optar pela maternidade independente?

Essa questão é um pouco difícil de ser respondida, já que se trata de diversas questões do intimo feminino. Uma grande porcentagem de mulheres que decidem pela maternidade independente, toma essa decisão por causa da idade ou até mesmo depois de alguns relacionamentos falidos.

O desejo de ser mãe acaba sendo maior do que manter os padrões de família tradicional com pai e mãe e abrem mão de dividir esse momento com algum parceiro e até mesmo de dividir a educação de uma criança com outra pessoa.

Uma decisão muito bem pensada

Embora na teoria a maternidade independente seja um termo fácil ser abordado, na prática a situação é um pouco diferente. Há uma série de dúvidas e inseguranças da mãe que vai gerar.

A vinda de um filho já é em si é difícil para um casal mesmo bem estruturado, imagine para uma mulher sozinha e que terá 100% das responsabilidades para si.

Conceber, gerar, dar à luz, amamentar, lidar com o recém-nascido. Um pouco mais a frente, educar, ensinar valores, falar sobre sua origem é uma tarefa árdua que toda mulher que decide pela maternidade independente tem que saber que encarará sozinha. Como explicará a sua decisão futuramente? Você terá o apoio dos familiares?

O preconceito

Em uma pesquisa de rua, foi perguntado à algumas pessoas como elas viam os “novos modelos de família”. Casais não casados ​​criando filhos? Casais gays criando filhos? Sobre cada uma dessas tendências crescentes, mais de 40% disseram que eram indiferentes.

Muitas dessas pessoas realmente não se preocuparam com o aumento no número de mulheres que nunca tiveram filhos (55% disseram que não importavam). Houve, no entanto, uma grande exceção quando perguntado sobre o aumento das mulheres solteiras que optam pela maternidade independente, 69% dessas pessoas disseram que era uma coisa ruim.

Geralmente, quando a mulher decide pela maternidade independente ela conta com o apoio da família próxima, ou seja, pai, mãe, irmãos e alguns poucos amigos. O restante sempre irá fazer aquela pergunta clássica: “Por que você não sai por aí e fica com alguém? ”

Mas seguindo essa visão de solução imediata, seria ético engravidar de propósito, sem saber a opinião da outra pessoa envolvida?Quaisos riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis, ou ainda doenças congênitas para o bebê?

Realmente lidar com uma situação nova incomoda as pessoas e esse preconceito é visível cada vez que o assunto é abordado.

Existe uma idade ideal para ser mãe?

Desde os últimos avanços da medicina na área dafertilização, as pessoas passaram a acreditar que a maternidade pode ser adiada tranquilamente para depois dos quarenta anos sem consequências. Essa ideia também vem repetidamente sendo divulgada pela mídia, que está sempre mostrando atrizes que tiveram filhos mais velhas, como se isso fosse a coisa mais normal e simples do mundo.

Claro, que com os processos de fertilização, inseminação, remédios, testes e toda a tecnologia, é possível ter filhos mais velha, e de forma mais segura.  Mas o relógio biológico da mulher não mudou por conta disso.

Sempre foi e continua sendo aconselhável ter filhos até os 35 anos, quando a taxa de fertilidade ainda está alta e existe menos risco tanto para a mãe quanto parao bebê.

A maternidade depois dessa idade é possível, claro, mas depois dos quarenta, com os óvulos mais velhos, além da fertilidade cair, o risco de algum problema de saúde é muito maior.

Como Escolher o Doador Para a Maternidade Independente

No Brasil,a doação de sêmen é totalmente anônima e gratuita. Os doadores em potencial têm sua identidade preservada por lei e são proibidos de receber qualquer remuneração pelo ato. São realizados diversos exames para atestar a saúde e qualidade do sêmen, além disso, questionários são respondidos e há também sessões com psicólogos.

Após seis meses, os exames são repetidos para garantir que nenhuma doença transmissível se manifestou nesse período. Apesar do protocolo para a doação de sêmen ser um dos mais seguros do mundo, também é o mais demorado para quem está à procura de um doador, o que acaba dificultando o processo. No país existem poucos doadores credenciados e dentro dos padrões.

Requisitos para ser um doador de sêmen

Alguns requisitos devem ser preenchidos rigorosamente para que seja um possível doador de sêmen.

  • Ter entre 18 e 45 anos;
  • Ser saudável e não pertencer a nenhum grupo de risco de DST – Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Não ter doenças genéticas ou congênitas na família;
  • Ter disponibilidade para fazer os exames e comparecer ao menos 6 vezes no banco para realizar a doação.

Em São Paulo está localizado o maior banco de sêmen do país, o Pro-Seed. No banco de sêmen é feita a coleta e todos os exames necessários, após essa etapa, o material é vendido para clínicas de fertilização de todo o Brasil, sempre mantendo os doadores anônimos. E, por existirem poucos, o custo de cada amostra não é barato, o preço varia entre R$ 1,5mil e R$ 2,2mil.

Como é Feita a Escolha do Doador

É através da clínica que a escolha do doador é feita. É disponibilizado uma planilha com os dados de cada um dos doadores como etnia, ascendência, cor de cabelo, olhos, peso, altura, profissão e hobbies.

Cada doador é identificado por um número único e é possível escolher até 3 opções nas fichas. A grande maioria das mulheres que optam pela maternidade independente procura escolher um doador com características semelhantes as suas, assim o filho terá grandes chances de ser mais parecido com a família.

Qualidades também são bem-vindas como por exemplo, se a mulher é baixa pode escolher um homem mais alto para que seu bebê ao chegar à idade adulta possa ter uma estatura maior que a sua. Pode aproveitar as probabilidades genéticas como vetar a tendência para a obesidade hereditária, olhos, cabelos, habilidades e profissão.

Como é feito o Procedimento

A primeira coisa que se deve saber ao decidir pela maternidade independente é qual método utilizar. Hoje em dia existem diversos procedimentos para conseguir o tão sonhado bebê.

Em geral, quando uma mulher decide pela produção independente é quase sempre após a idade ideal para a gestação, portanto vários fatores serão observados, como por exemplo, a condição dos óvulos, condições gerais do sistema reprodutor.

Exames Avaliatórios da Mulher

Para isso, o médico iniciará o processo realizando alguns exames. O primeiro passo para concluir o sonho da maternidade independente é:

  • Avaliação hormonal na mulher;
  • Ultrassom completo do útero e ovários;
  • Checagem das trompas;
  • Exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis.

Em casos mais complexos, o especialista solicitará outra série de exames mais específicos.Dentre os métodos de tratamentos o mais abordado inicialmente é o deMedicamentos para Fertilidade.

Como Funcionam os Medicamentos para Fertilidade

Os medicamentos para fertilidade são injetados ou tomados em forma de pílula. Esses medicamentos liberam hormônios que induzem a ovulação e aumentam a produção de óvulos, tornando o útero mais receptivo à implantação embrionária.

Taxas de sucesso: 40 a 45 % das mulheres que tomam as pílulas e ovulam ficam grávidas. Mas se há danos ou bloqueio nas trompas ou cicatrizes da endometriose, essa porcentagem se reduz a quase zero.

Prós e Contras dos Medicamentos

Prós: os medicamentos são tipicamente a primeira escolha no tratamento da fertilidade devido ao seu baixo custo e sua relativa comodidade.

Contras: possível inchaço, dores de cabeça, ondas de calor e náuseas. Os efeitos colaterais são piores com os ciclos, e incluem risco de partos múltiplos, parto prematuro e formação de grandes cistos ovarianos.

Custos: Há uma variaçãomuito grande de preço dependendo do local de tratamento, se o medicamento é em pílula ou injetável e se estão incluídos exames de sangue e ultrassons seriados para acompanhamentos dos folículos que geram os óvulos.

Inseminação artificial ou Fertilização in vitro, qual método escolher?

Ambas as técnicas são consideradas eficientes para a concepção de um bebê e a realização do sonho de ser mãe, mesmo através da maternidade independente.

Inseminação Artificial (IIU)

Como funciona: o esperma especialmente preparado (“lavado”) é inserido diretamente no útero através de um cateter fino e flexível durante a inseminação intrauterina. Depois dos indutores de ovulação é o método de fertilidade mais comum.

Se a mulher optar por este método, o médico pode recomendar que os medicamentos para a fertilidade sejam suspensos, para aumentar as chances de fertilização.

Taxas de sucesso: depende da idade da mulher e da qualidade do sêmen utilizado. Em geral, existe uma chance de 15 a 20 % de concepção por ciclo, com uma chance de 60 a 70 % de gravidez após 6 ciclos.

Prós: um procedimento simples que pode ser realizado em um consultório médico.

Contras: pode resultar em partos múltiplos.

Fertilização in vitro (FIV)

Como funciona: O processo é realizado em ciclos no qualos óvulos são extraídos e fertilizados com o sêmen em um laboratório. Uma vez que os embriões se desenvolvem, um ou dois são implantados no útero e o resto é armazenado para futuras implantações.

Taxas de sucesso: varia de acordo com a idade,41 % das mulheres (com idade inferior a 35 anos); 32 % (de 35 a 37 anos) e 23 % (de 38 a 40 anos) engravidam.

Prós: Tem umataxa de sucesso relativamente alta comparada aos outros métodos.

Contras: o tratamento é caro e fisicamente desgastante, exige um regime rigoroso de medicamentos para a fertilidade antes do início de cada ciclo.

Uma curiosidade

Na Islândia, cerca de 67% dos bebês nascem da maternidade independente. Uma combinação de programas sociais generosos e de uma sociedade voltada a novas experiências acabaram tornando a união tradicional (homem x mulher) obsoleta.

Criou-se uma cultura única de maternidade independente. A falta de estigma social e uma atitude descontraída em relação ao casamento e à moralidade sexual tornam mais viável a família com a mãe solteira na Islândia.

Viver em uma pequena comunidade significa que os parentes são frequentemente próximos e podem se dedicar à assistência à infância. Isso não significa, é claro, que a maternidade independente seja fácil. A maternidade independente desafia os mitos, conscientiza e vence todos os estereótipos que diminuem e degradam as famílias monoparentais.

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Fotos:VaniaRaposo, geralt, DrKontogiannilVF