Quando mãe de primeira viagem, eu era muito insegura. Lidar com os medos que eu tinha as vezes até mesmo descabidos e sem ajuda alguma,  me fizeram a mãe que sou hoje. Passei por muitas coisas quando mamãe de primeira viagem e ainda sim hoje como mamãe experiente, me pego pensando se não poderia ter feito algumas coisas diferentes. Por isso convidei a psicóloga Ariela Malaquias, do site Psico Materna para ajudar e esclarecer as dúvidas e indagações daquela época que ainda ecoavam na minha cabeça. Como uma mãe novata pode se sentir quando se vê sozinha com a sua nova condição de vida e com tantas responsabilidades? Como lidar com todas essas mudanças? Bem vinda Ariela!

Ariela e seus filhos

Trocando Fraldas: Meus medos quando grávida era de não dar conta de cuidar de um bebê. Sentia que tudo que sabia não era suficiente e me sentia inapta para ser mãe. O que fazer nesses casos?
Ariela: Toda a mulher quando engravida se vê cheia de medos, anseios, dúvidas, e sonhos claro. Na verdade não existe um manual em como ser mãe, só se aprende a ser mãe, sendo! É o dia-a-dia, o olhar, o toque, a rotina, o choro do bebê que vão fazendo com que a maternidade flua, aos poucos você vai reconhecer o choro de fralda suja ou de fome, ou mesmo de um simples resmungo de frio ou calor, por exemplo. A gente quando grávida lê muita coisa para ir aprendendo, mas a verdade é que cada mãe é uma, então o que muitas vezes serviu para uma, não necessariamente funcionará para outra, pois assim como a mãe, cada bebê também é único!

Trocando Fraldas: Como agir quando não se tem alguém para dar apoio e suporte assim que o bebê nasce? Muitas mulheres não tem mães, sogras e outros parentes ou amigas para ajudar.

Ariela: Hoje em dia isso é muito comum. Antigamente as mulheres se aproximavam perto de parir e ali ficavam em família, com muitos cuidados, nas aldeias é assim ainda, as índias não ficam sozinhas, elas se ajudam. Infelizmente na cidade ficamos excluídas dos demais, nessas horas até as amigas somem, muitos não querem incomodar nos primeiros meses, até concordo, mas não custa nada se oferecer para uma visita e levar um lanche ao invés de esperar que a nova mãe ainda tenha que preparar o que comer… nessas horas não precisamos de “visita”, precisamos de “ajuda” e a ajuda não é necessariamente com o bebê, pois do bebê, você mãe está aos poucos aprendendo a dar conta, ajuda com a casa mesmo, ou com uma gentileza de fazer uma comidinha, uma escova no cabelo, fazer as unhas, estender uma roupa, lavar uma louça ou mesmo conversar, fazer companhia… poucas coisas que fazem uma grande diferença!!
Sempre ressalto que Mães precisam de cuidado e apoio após o parto!!

Trocando Fraldas: Como lidar com a adaptação do papai no pós parto?

Ariela: O ideal é que o pai esteja presente durante toda a gestação, participando mesmo, indo nas consultas, nos grupos de apoio a gestante, aprendendo sobre o bebê e sobre o parto e o puerpério que é sim o momento mais delicado! Mães, demandem para os pais cuidados com o bebê, eles podem, eles conseguem, mesmo que façam errado ao nosso ver, o que importa é o contato, o afeto, o apego com o bebê… ninguém vai fazer como nós, mães, mas eles vão fazer do jeito deles, como pais que são! Muitos pais não são mais ativos nesses momentos porque as mães vão fazendo tudo sozinhas por achar que eles não são capazes, mas eles são!! Já na maternidade peçam que ele aprenda a dar o banho, trocar a fralda, se o parto for em casa, que ele esteja ali junto, participando!!

Trocando Fraldas: Quando me vi como mãe, a responsabilidade chegou forte, não conseguia nem dormir pensando no dia seguinte, nas coisas que teria q fazer. Como amenizar esse sentimento?

Ariela: Após o parto, quando nos vemos em casa com o bebê, tudo muda, um mundo novo começa. É preciso se manter calma e tranquila, você vai dar conta, todas as mães (salvando algumas intercorrências) dão conta! No começo um ritmo vai ser criado, você vai aprender a conciliar o sono do bebê com o seu descanso, aproveita que ele mamou, deixe ele para arrotar com o pai e vai tomar um banho relaxante e tranquilo. Não se preocupe com o amanhã, aproveite o agora. Descanse bastante, as noites poderão ser longas! Se entregue a este momento, assim como estava entregue na gestação, vocês ainda são um, o bebê sente o que você sente… então se você ficar nervosa, tensa, ele também ficará e poderá chorar mais, poderá não conseguir mamar direito, não dormir direito… Não pense em regras, não ouça regras dos outros, seu bebê não tinha regras em sua barriga, porque terá que ter agora?! Dê colo, muito colo!! Tranquilize-se para que consiga amamentar com tranquilidade!!

Por Ariela Malaquias do site Psico Materna
Psicóloga Clínica de tentantes, gestantes, mães/bebês, casais e famílias.
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Foto: Acervo Pessoal