Minha Vida de Mamífera! – Neusinha

Amamentar sempre foi uma meta na vida de Neusinha, depois que a sua filha Alícia nasceu, apesar de tudo que parecia impedir esse momento tão lindo em sua vida, ela conseguiu vencer e amamentar exclusivamente!

Desde pequena, conhecia a importância da amamentação e, durante a faculdade de enfermagem acentuei ainda mais essa convicção. Acreditava que o leite materno era o melhor alimento que ofereceria a minha filha e o faria pelo tempo que fosse necessário e escolhido por ela.

Mamei em minha mãe até 2 anos e 3 meses, então tinha certeza de que teria muito sucesso nessa
“empreitada”. Porém, as coisas não foram tão fáceis… Quando minha pequena Alícia nasceu, após uma cesárea, pois não obtive dilatação, minhas dúvidas começaram. Sabia que meu leite demoraria a descer, mas, jamais imaginei que minha filha poderia ser tão preguiçosa e não querer pegar o peito de jeito nenhum. Chorava de fome no hospital e tive de pedir às enfermeiras da maternidade para lhe darem algum complemento. Saí do hospital com uma receita de LA (leite artificial), e esse foi o primeiro alimento da minha filha…

Com 3 dias, meu leite finalmente desceu e ela ainda não havia aprendido a sugar. Comprei um bico de silicone e assim ela pode mamar, porém, isso me deixava completamente insatisfeita. Além de ser demorado para colar, minha filha engolia muito ar com ele e, pra mim, aquilo ainda não era amamentar, pois, havia uma “borrachinha” entre nós… Então, eu não desisti. Fui tentando, tentando, usando técnica da seringa e, finalmente, com 8 dias, consegui fazer minha filha pegar o seio esquerdo e, com 15 dias pegar o seio direito… agora sim, tudo ficaria bem… quão inocente eu era…

Minha filha ainda não havia recuperado peso aos 12 dias e mamava a toda hora, chorava bastante. Meus pais não me apoiavam e diziam que meu leite era fraco, que eu tinha pouco leite e lá acabava entrando o complemento novamente, que sempre caía igual a uma bomba no estômago da Alícia, e ela demorava muito até conseguir dormir…

Eu tbm chorava dia e noite. Precisei utilizar um medicamento para estimular a produção e, finalmente, com 45 dias pude abandonar o complemento. Com ajuda de um grupo sobre Aleitamento Materno, finalmente adquiri a confiança em mim que necessitava, vi que eu era poderosa e que poderia nutrir sozinha minha filha e abandonei o medicamento e seguimos com o aleitamento exclusivo até 6 meses. Nem sempre foi fácil, mas cada momento juntas, cada olhar, cada sorriso durante as mamadas me fizeram perceber que eu havia feito a coisa certa, o que meu coração pedia e que tinha valido muito a pena lutar. Hoje, Alícia tem quase 15 meses e ainda mama no peito, ama demais o mamá e até tive de dar uma controlada, principalmente à noite, mas, não pretendo tirar isso dela tão cedo, pois acredito que o leite materno foi  e sempre será algo nutritivo, caloroso e enriquecedor à sua vida.

Neusa Feliciano Canterle, 27 anos, mamãe da Alícia, de 14 meses, em tempo integral.

Veja também: Posso Amamentar na Gravidez?

Fotos: Acervo Pessoal