TF_Pesquisa Maternal

Nos últimos dois anos nasceram no Brasil um pouco menos de 3 milhões novos brasileirinhos e brasileirinhas. Este número vem caindo constantemente resultado da diminuição da taxa de fecundidade que levará a sociedade brasileira a um envelhecimento gradual. Porém, existe um sério risco que este processo seja acelerado por uma doença cuja expansão permanece misteriosa – a microcefalia.

Enquanto os noticiarias retratam as mais recentes estatísticas de incidência, os cientistas procuram por respostas da origem e as instituições nacionais e internacionais de saúde traçam estratégias de combate, poucos se preocupam com o impacto da microcefalia na vida de gestantes e mulheres tentantes. Foi com esta finalidade e para avaliar possíveis consequências a meio prazo que o Trocando Fraldas realizou uma pesquisa entre mais de 1400 usuárias do portal nas seguintes situações de maternidade:

pesquisa microcefalia

Quando a Gestação Se Torna Pesadelo

Mais da metade das entrevistadas estão grávidas e, no momento em que engravidaram, não faziam ideia de tamanha incidência de casos de microcefalia. Por isso, não surpreende que 3 em 5 gestantes expressem o seu medo da doença. 38% afirmam não ter engravidado e se soubessem do perigo da microcefalia e outros 36% têm dúvidas se iriam buscar a gravidez com as informações disponíveis na hora das tentativas. Apenas 26% engravidariam independentemente do risco.

Para 3 em cada 10, o risco da microcefalia transformou a gestação em um pesadelo repleto de preocupações e 24% ainda se sentem mais estressadas. 47% consideram a gravidez tranquila.

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A grande maioria das gestantes entende que todo cuidado é pouco nesta situação. 75% aplicam repelentes para se proteger das picadas do mosquito Aedes aegypti e 73% realizam todos os exames do pré-natal para verificar a saúde do bebê. 56% evitam áreas de riscos como bairros com concentração de mosquitos por exemplo. O quanto a ameaça influencia a vida das gestantes mostra o fato que 1 em cada 3 praticamente deixou de sair de casa e participar da vida de forma geral.

Microcefalia Deixa Tentantes em Dúvida

Do lado das 46% das entrevistadas que querem um bebê, a opinião sobre a continuação das tentativas é dividas. Das 11% de mulheres que não querem engravidar agora, 38% efetivamente pararam a tentar recentemente devido ao zika vírus e risco da microcefalia. 62% delas adiaram os planos de família por outros motivos. Das 35% de tentativas ativas, 3 em cada 7 já tiveram dúvidas sérias se agora seria o momento para engravidar.

A maior motivação para não parar as tentativas é a quantidade de tempo de espera que já acumulou. Para 35% das tentantes a ansiedade de engravidar supera qualquer medo. Outros 27% estão confiantes que não contrair o zika vírus que possivelmente provoca a microcefalia porque tomará providência uma vez que tiver sucesso.

Perigo Real e Dificuldade de Combater

Os relatos das gestantes e tentantes só permitem uma conclusão: a sensação de perigo da microcefalia é palpável. Tanto é que 34% das mulheres avaliam que sua família receberia com pouca tranquilidade um bebê microcefálico. Caso a doença ocorra com mais frequência em bebês sem que haja soluções para identificar e/ou combater suas causas, uma diminuição dos nascimentos em até 49% pode se tornar realidade baseado nas respostas das mais 1400 entrevistadas.

Que existe um perigo real também mostra o fato de 34% terem vistos o mosquito aedes aegypti dentro de suas residências nas últimas 4 semanas. 10% das mulheres até já pegaram o zika virus e outros 11% não tem certeza se não já pegaram.

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O que deixa a maioria das mulheres insatisfeitas com esta situação é falta de informações confiáveis e precisa da relação entre zika vírus e a microcefalia. Apenas 17% se sentem bem informados. Ao mesmo tempo entendem que o problema não é de fácil solução. 58% acreditam que a própria população precisa fazer mais e atuar na erradicação do mosquito. 18% entendem que a OMS precisa tomar a liderança do combate agora e apenas 16% exigem mais esforço do Governo.

Para ter acesso a todos os dados pesquisa, por favor entrar em contato com o TF

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