Assunto complicado não é mesmo? E quando alguém aponta isso para uma mãe é motivo até de sentir ofendida por imaginar estar fazendo diferença entre os filhos. Mas será mesmo que isso não ocorre? Será mesmo que nós mães mesmo que sem perceber não temos preferência por um filho? E a resposta é sim!!

Dificilmente você verá um pai ou uma mãe assumir a sua preferência, mas que existe um filho favorito isso existe, pelo menos na maioria dos lares! O que os pais não entendem é que isso não deve ser encarado com culpa ou com a sensação de desprezo para com os outros filhos, mas sim como maior identificação com um deles. Fato que ocorre dentro dos ambientes familiares, no trabalho, no circulo de amigos, onde sempre temos aquele individuo que mais nos identificamos seja nos gostos ou até mesmo nos assuntos discutidos.

O fato de você ter preferência por um filho, não quer dizer que não ame os demais ou que goste menos. Tudo é questão de empatia entre seres humanos e isso deve ser encarado de forma natural. Os filhos herdam algumas visões e gostos semelhantes aos nossos, e acabamos nos identificando com as coisas que gostamos de fazer. Por exemplo, você ama filmes e um dos filhos é apaixonado por cinema, obviamente vocês  terão sessões pipoca juntos e se o outro filho não gostar tanto assim, ficará de fora. Mas você pode encontrar gostos parecidos com o outro filho e fazer programas isolados com ele também. Vale lembrar que passar um período a sós com os filhos, dando atenção única para cada um deles de forma separada faz um diferencial entanto no relacionamento de pais e filhos. Além de estreitar a amizade e a cumplicidade é maravilhoso poder se divertir com que mais amamos neste mundo.

E Quando o Outro Filho Sente Ciúmes do Preferido?

Tudo na vida deve ter um equilíbrio, e não é diferente no relacionamento familiar. Ter preferência por um filho, pela afinidade nos gostos é bem natural desde que isso não afete no convívio e relacionamento com os demais filhos. Muitas são as pessoas que reclamam e até apontam diversas situações durante a fase da sua infância, onde sentia nitidamente a diferença dos pais em relação aos irmãos. Mas como evitar que isso aconteça?

O erro não é ter maior afinidade com um deles e sim em lidar com diferença na educação e tratamento diário entre eles. Os pais devem tomar cuidado redobrado com isso e se atentar a dar exatamente a mesma educação, conselhos e direcionamentos para todos mesmo que sejam filhos com comportamentos completamente diferentes. Permita-se passar períodos com os que tem menos afinidade, com certeza encontrará programas divertidos para realizarem juntos e que estreitará ainda mais o relacionamento.

Quando os pais não conseguem separar essa preferência por um filho na educação de todos, ocorrem consequências no comportamento dos demais de forma inevitável. O filho preferido crescerá com o sentimento de manipulação, de que tudo pode e quando não consegue, passará por um processo de frustração. Muitas dessas crianças apresentam comportamento agressivo na fase adulta e sofrem com quadros depressivos por ter dificuldade em aceitar mudanças e situações que fogem do seu alcance. Já os filhos que sentem ciúmes do preferido, criam certa “casca” para se proteger, problemas com a autoestima e apresentam dificuldade no convívio com os familiares, tendo maior ligação com o mundo externo e confiando muito mais nos amigos do que nos próprios pais, o que pode gerar problemas muito maiores por serem influenciados por estes demais.

A maioria dos filhos quando sentem essa diferença normalmente expõem a situação mesmo que “brincando” em algumas oportunidades. Nós pais devemos ficar alertas aos sinais e pedidos de ajuda mesmo que de forma indireta. Termos preferência por um filho ou ter maior afinidade com algum deles não significa que amamos mais do que os outros. Por isso a convivência, a educação, o respeito, as cobranças e até mesmo os puxões de orelha devem ser distribuídos de forma igual e única para todos.

Fotos: Waldryano, TawnyNina

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