Queli experimentou os dois tipos de parto, tanto a cesárea quanto o parto normal. Saiba a experiência dela com os partos.

Quando estava grávida da minha segunda filha, eu jamais imaginei que faria uma cesariana. Meu primeiro filho tinha nascido de parto normal, super-rápido e sem traumas, então imaginava que o segundo deveria ser ainda melhor. Estava enganada! Quando estava com 36 semanas, comecei a sentir contrações ritmadas, apesar de não sentir muita dor. Esperamos amanhecer e fomos para o hospital. A médica plantonista fez o toque e constatou apenas 3 cm de dilatação, mas me internou porque realmente eram contrações e o parto estava em evolução. Passei a manhã toda andando pelo hospital, tentando acelerar o parto. Mas continuava com 3 cm de dilatação. Pedi para colocarem o soro com ocitocina e esperei e nada. No final do dia, continuava tudo igual, nada de dor e com os mesmos 3 cm de dilatação. Meu médico chegou e ao realizar o cardiotoco, percebeu que meu bebê estava com os batimentos muito acelerados. Ela estava em sofrimento fetal.

Como ele sabia da minha vontade de ter parto normal, ele começou a conversa assim: “Eu preciso te falar uma coisa e não quero que você chore.” Na hora fiquei gelada, achei que tivesse acontecido algo ruim com minha bebê. Ele continuou: “Sei que você queria muito parto normal, mas vamos ter que fazer uma cesárea.” Eu tentei argumentar, que poderia aumentar a dose de ocitocina, esperar mais um tempo, mas ele disse que não podia (ele só me contou do sofrimento fetal depois do parto). Então, já que não tinha saída, eu perguntei quando seria a cirurgia. Ele disse imediatamente, a anestesista está subindo. Acho que fiquei dentro de um tornado nesse momento. Como assim? Sem me preparar, sem avisar ninguém? Disse que precisa telefonar, avisar meu esposo e ele disse que eu tinha um minuto. Fui correndo, chorando, com a cabeça dando voltas.

Mal pude me despedir dele e a anestesista já estava me chamando. Pedi para tomar um banho primeiro e fiz mil exercícios em menos de um minuto, numa última tentativa de ter parto normal. Fui para a sala de cirurgia e chorei de dor com a anestesia nas costas. Meu Deus! Como doeu! Sentia a cânula inteira dentro de mim! Deitei, fui amarrada (sensação horrível!) e o médico iniciou a cesárea. Dei um grito, eu senti o corte! Como pode isso? A anestesia não tinha feito efeito. A anestesista pediu mais um minuto, nova tentativa de iniciar a cesárea e novamente senti a dor de me cortarem. Novamente a anestesista pediu mais um minuto e novamente senti a lâmina cortar minha pele. Quanto sofrimento, meu Deus!

Mas em seguida senti um grande formigamento que começou nos pés e subiu até o quadril e depois uma onda de calor tomou conta de mim, que sensação boa! Pronto, agora sim podia iniciar minha cirurgia, a anestesia tinha feito efeito. Mas como a dose foi muito alta, meus batimentos e a pressão caíram muito, chegou a marcar 5 X 3. Eu só pedia a Deus para chegar ao fim e ver minha filha bem. Finalmente ela nasceu! Bem roxinha. A pediatra me mostrou ela rapidamente e a levou. Nem imaginei que ela estivesse com problemas para respirar. A cirurgia terminou e me levaram para a sala de recuperação. Cheguei lá já movimentando as pernas! A anestesia já tinha passado! Ninguém acreditava naquilo.

Depois de um tempo fui para o quarto e esperei ansiosa para segurar minha princesinha nos braços. Quando ela chegou, só queria dormir. Dormiu a noite inteira, só foi mamar no outro dia! Passei duas semanas sentindo muitas dores, tive muitos gases e mal podia caminhar. Chorava de dor! Conselho de amiga: após uma cesariana, não converse! Fale o mínimo possível, pois a formação de gases na barriga gera uma dor insuportável!

Bom, depois disso, passados quatro anos, engravidei novamente e lutei desesperadamente por um parto normal. Apelava para chás, banhos de assento, caminhadas, subia e descia degraus intermináveis! Não senti nenhuma pontada de dor. Nada. Quando completei 41 semanas me enchi de coragem e fui para o hospital ter minha filha de cesárea, pois ela não queria vir naturalmente mesmo.

Pensem numa pessoa nervosa, ansiosa, tremendo de medo. Eu tinha trauma da cesárea! Por incrível que pareça dormi bem à noite, mas acordei mais cedo que o normal. Meu marido me enrolou até mais de 10 horas!!! Eu cada vez mais ansiosa e ele fazendo hora pra sairmos. Sei que era nervoso, ele estava bastante angustiado com essa nova cesárea porque ele sabia o quanto eu tinha sofrido na anterior. Mas, mesmo com medo, eu sou muito objetiva, já que tinha que ser parto cirúrgico, que fosse de uma vez! Como era de esperar, ao chegar no hospital fui logo internada para a cirurgia, afinal já estava com 41 semanas. Entreguei minhas coisas para o meu marido, nos abraçamos e fui. Após responder algumas perguntas, me levaram direto para o centro cirúrgico!!

Como assim??? Já???  Não tive nem tempo de ter medo, mas mesmo assim, esperei ansiosa pela conversa com a anestesista. Expliquei a ela que no meu parto anterior a anestesia não pegava e por isso senti aquela cânula super grossa nas minhas costas e depois senti me cortarem por 3 vezes, até a anestesia finalmente pegar. Ela foi um amor comigo, disse que me explicaria tudo o que iria fazer e prometeu que eu não sentiria dor. Ela cumpriu a palavra! Descobri depois que me aplicou morfina, para então colocar aquela cânula enorme em minhas costas. Só senti a pressão nessa hora. Quando me deitaram, ainda senti um pequeno ponto do corte, que foi como uma picada de agulha, mas foi só!!! Graças a Deus!!!

Pronto, para mim a pior parte tinha passado. Em poucos minutos ouvi o melhor dos sons. Ela nasceu chorando fraco e parou, fiquei preocupada, mas antes de pensar alguma bobagem, ela chorou de novo, dessa vez com força total!!!! Eita que linda canção!!!! Nasceu com os olhos abertos e me olhou bem no olho… linda!!! Ainda me emociono com as lembranças!

A pediatra me mostrou ela rapidinho e a levaram, fiquei ali, ouvindo o médico me dizer que ia ficar lindo o corte e ouvindo Nicole chorando na sala ao lado. Demorou uma eternidade, até que terminou tudo e fui para a sala de recuperação. Em poucos minutos trouxeram ela para ficar comigo, mamou um pouquinho e dormiu. Aos poucos foi passando o efeito da anestesia e percebi que estava super bem. Cerca de 5 horas após a cirurgia eu já conseguia me virar de lado.

Senti um pouco de dor na barriga, normal! Mas nada comparado ao parto anterior. Pronto, meu trauma estava superado! Hoje a Júlia está com 5 anos e sonha em ser bailarina e Nicole fez dois aninhos e é um doce de bebê! Apesar de ser uma defensora do parto normal, hoje reconheço que parto cesáreo não é um bicho de sete cabeças, um monstro. Basta que a mulher esteja preparada para viver cada experiência sem medo e, de preferência, sem dor!

Queli Rodrigues dos Santos, tenho 38 anos, sou casada com o amor da minha vida, temos três filhos lindos e abençoados. Sou servidora pública e adoro meu trabalho, mas gosto mesmo é de estar em casa, cuidando da minha família, da horta e dos bichinhos de estimação que temos. Enfim, sou uma pessoa comum que aprendeu a superar a dor da perda e esperar em Deus pelo dia da Bênção.

Veja também: Parto Cesárea – Eu Fiz!

Fotos: Acervo Pessoal