Medo que tomou conta das tentantes, mas principalmente das gestantes é o surto de microcefalia que têm tido repercussão nacional. O problema é real, porém a quantidade de informações cruzadas e alarmes desnecessários feitos por uma mídia sensacionalista que quer audiência a todo custo. Informações podem confundir e muito as mulheres que já estão grávidas e também as que estão esperando anos para conseguir engravidar. Mas qual é a verdade em meio a tantas informações? O que levar em consideração em meio a tantas especulações? Mas antes vamos falar sobre a microcefalia e entender o que é.

A microcefalia é o crescimento inadequado do cérebro do bebê. O cérebro deve crescer e ocupar toda a caixa craniana, se não se desenvolver corretamente deixará a cabeça menor e em alguns casos com deformações visíveis. Se houver um espaço entre o cérebro e o crânio, é detectada a microcefalia. Normalmente exames como de ultrassom de rotina, morfológicas e tomografia na gravidez, conseguem descobrir o problema antes mesmo do nascimento. Isso, porque o médico conseguirá medir a circunferência do cérebro e crânio ainda intra útero. No entanto, há casos raros em que a microcefalia é tão baixa que não dá para ser notada. Apenas no exame clinico, a partir da medição do médico pediatra, pode-se ter um diagnóstico.

O tamanho ideal do crânio de uma criança recém-nascida é acima de 33 cm. Se for abaixo desta medida, é constatada a microcefalia. Crianças com este problema tem menor quantidade de neurônios que uma criança com cérebro desenvolvido corretamente, por isso, pode ter alguns problemas de desenvolvimento motor e de aprendizado, atraso da fala e ainda ficar dependente por toda sua vida por conta de possível retardo mental, epilepsia e alterações neurológicas.

A preocupação mesmo no atual momento é o surto que há no Brasil, principalmente na região norte e nordeste do país onde o quadro de microcefalia teve um aumento muito considerável. Logo, estes locais onde a incidência de casos de zica vírus foi detectada, foram relacionados com a incidência da microcefalia. Porém, é importante frisar, que todo o pânico que esta sendo causado é preocupante. Alguns estudos relacionados não comprovam que o zica vírus é causador da microcefalia, que tem ainda como causadores outros fatores como por exemplo:

  • Rubéola
  • Fenilcetonúria materna
  • Toxoplasmose

E outras doenças comuns em regiões de baixa renda como a desnutrição materna por exemplo. Um dos fatores causadores da microcefalia também é o citomegalovírus, mais comum do que se possam imaginar. Também um dos causadores da microcefalia é a existência de uso de drogas de grande impacto como cocaína e craque. Diversas outras doenças podem causar a microcefalia, várias síndromes como a de Down, Cri du chat, Cornelia de lange, Edwards e outras.

Mas Qual a Relação do Zica Vírus Com a Microcefalia?

O problema esta na relação entre o surto e a doença. Teoricamente mães gravidas no primeiro trimestre, poderiam ser contaminadas pelo zica vírus por serem picadas pelo mosquito portador da doença. Então, a doença cairia na corrente sanguínea e passaria para o feto, que atacaria as células cerebrais por conta de uma inflamação. Esta inflamação retarda e impede a multiplicação dos neurônios. Essa doença afetaria o crescimento natural e o desenvolvimento do cérebro do bebê, porque faria o próprio corpo do bebê em desenvolvimento, atacar as células já em formação. Porém, o problema é relevante apenas em mulheres que contraíram a doença ainda no primeiro trimestre de gravidez, que é quando o bebê passa por esse desenvolvimento cerebral ativo. Algumas crianças que nasceram com microcefalia foram submetidas à exames que não detectaram conexão entre a doença e a epidemia. Apenas 1 bebê com microcefalia foi detectado com zica vírus. Atualmente o instituto Osvaldo Cruz (FioCruz) soltou um parecer sobre o assunto.

Não há ligação entre o zica vírus e a microcefalia em casos comprovados, porém devemos considerar qualquer hipótese.

Os sintomas do zica vírus são:

  • Mancas vermelhas na pele
  • Dores nas articulações
  • Febre baixa
  • Dor moderada atrás dos olhos

O Que os Médicos Recomendam a Quem Está Gestante e a Quem Quer Engravidar?

Como há tantas divergências de informações e pouco conhecimento sobre a doença, o mais seguro é esperar mais um pouco para tentar engravidar. Principalmente em regiões afetadas pelo surto, já que a doença não tem vacina disponível. Aconselha-se a esperar ao menos a estabilização do surto que pode durar cerca de 6 a 8 meses.

Para as mulheres que já estão grávidas, o que resta é a prevenção. O zica vírus é transmitido pelo mesmo mosquito que transmite a dengue o aedes aegypti. Também importante reforçar que combater o problema é fundamental e o hospedeiro da doença são os mosquitos fêmeas que voam baixo pelo seu peso. Por isso, proteja o corpo todo, principalmente as pernas. O uso de repelente tem sido uma das saídas mais cogitadas, porém, é importante dizer que nem todos são eficientes contra o mosquito transmissor. O repelente para zica vírus deve ter um desses componentes:

  • dietiltoluamida
  • hiperedina

Porém há ainda um agravante, o médico deve liberar o uso para prevenir problemas como alergia da gestante. O repelente deve ser aplicado de 4 em 4 horas no corpo todo mesmo em áreas não expostas. Converse com seu médico para usar o repelente com segurança.

Há meios de prevenir-se do zica vírus com repelentes naturais como o de citronela por exemplo. Outros artigos que podem ajudar são as lâmpadas que atraem as moscas e consequentemente o mosquito aedes aegypti. Vale investir em uma lanterna mata moscas, elas são inofensivas aos humanos e eficazes contra o hospedeiro do zica vírus, seu valor pode variar de R$ 80 a 300,00. A ingestão de vitamina do complexo B são ótimos repelentes naturais, além de ter esse papel no organismo, faria um papel de escudo natural contra os mosquitos. Porém, sua eficácia teria inicio após 1 mês de ingestão.

Lembrando: Não existe uma relação 100% entre os casos de zica e de microcefalia. Há duvidas ainda da parte dos médicos especialistas e estudiosos do assunto. Por isso, se ainda não está grávida espere mais um pouco para ter um parecer concreto. Também é preciso lembrar que crianças já formadas (terceiro trimestre de gravidez) não correm risco de ter problemas com microcefalia. Bebês nascidos também não correm o risco de ter problemas.

Na duvida? Converse com seu ginecologista. Informar-se é a única arma que tem neste momento de crise e claro, ajude a combater o mosquito transmissor.

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Foto: Armed Forces Pest Management Board, Christian Glatz